A Bíblia - ON LINE - João - JO

1-1 - No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

1-2 - Ele estava no princípio com Deus.

1-3 - Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

1-4 - Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens;

1-5 - e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

1-6 - Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

1-7 - Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.

1-8 - Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz.

1-9 - Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo,

1-10 - estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu.

1-11 - Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

1-12 - Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que crêem no seu nome,

1-13 - os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

1-14 - E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

1-15 - João testificou dele e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: o que vem depois de mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu.

1-16 - E todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre graça.

1-17 - Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.

1-18 - Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer.

1-19 - E este é o testemunho de João, quando os judeus mandaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu?

1-20 - E confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo.

1-21 - E perguntaram-lhe: Então, quem és, pois? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu o profeta? E respondeu: Não.

1-22 - Disseram-lhe, pois: Quem és, para que demos resposta àqueles que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo?

1-23 - Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.

1-24 - E os que tinham sido enviados eram dos fariseus,

1-25 - e perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?

1-26 - João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água, mas, no meio de vós, está um a quem vós não conheceis.

1-27 - Este é aquele que vem após mim, que foi antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar as correias das sandálias.

1-28 - Essas coisas aconteceram em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.

1-29 - No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

1-30 - Este é aquele do qual eu disse: após mim vem um homem que foi antes de mim, porque já era primeiro do que eu.

1-31 - E eu não o conhecia, mas, para que ele fosse manifestado a Israel, vim eu, por isso, batizando com água.

1-32 - E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba e repousar sobre ele.

1-33 - E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo.

1-34 - E eu vi e tenho testificado que este é o Filho de Deus.

1-35 - No dia seguinte João estava outra vez ali, na companhia de dois dos seus discípulos.

1-36 - E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus.

1-37 - E os dois discípulos ouviram-no dizer isso e seguiram a Jesus.

1-38 - E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disse-lhes: Que buscais? E eles disseram: Rabi ( que, traduzido, quer dizer Mestre ), onde moras?

1-39 - Ele lhes disse: Vinde e vede. Foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aquele dia; e era já quase a hora décima.

1-40 - Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João e o haviam seguido.

1-41 - Este achou primeiro a seu irmão Simão e disse-lhe: Achamos o Messias ( que, traduzido, é o Cristo ).

1-42 - E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas ( que quer dizer Pedro ).

1-43 - No dia seguinte, quis Jesus ir à Galiléia, e achou a Filipe, e disse-lhe: Segue-me.

1-44 - E Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro.

1-45 - Filipe achou Natanael e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na Lei e de quem escreveram os Profetas: Jesus de Nazaré, filho de José.

1-46 - Disse-lhe Natanael: Pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Disse-lhe Filipe: Vem e vê.

1-47 - Jesus viu Natanael vir ter com ele e disse dele: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo.

1-48 - Disse-lhe Natanael: De onde me conheces tu? Jesus respondeu e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, te vi eu estando tu debaixo da figueira.

1-49 - Natanael respondeu e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel.

1-50 - Jesus respondeu e disse-lhe: Porque te disse: vi-te debaixo da figueira, crês? Coisas maiores do que estas verás.

1-51 - E disse-lhe: Na verdade, na verdade vos digo que, daqui em diante, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subirem e descerem sobre o Filho do Homem.

2-1 - E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus.

2-2 - E foram também convidados Jesus e os seus discípulos para as bodas.

2-3 - E, faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho.

2-4 - Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.

2-5 - Sua mãe disse aos empregados: Fazei tudo quanto ele vos disser.

2-6 - E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.

2-7 - Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.

2-8 - E disse-lhes: Tirai agora e levai ao mestre-sala. E levaram.

2-9 - E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho ( não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os empregados que tinham tirado a água ), chamou o mestre-sala ao esposo.

2-10 - E disse-lhe: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então, o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

2-11 - Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.

2-12 - Depois disso, desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos, e ficaram ali não muitos dias.

2-13 - E estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.

2-14 - E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados.

2-15 - E, tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, bem como os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas,

2-16 - e disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes e não façais da casa de meu Pai casa de vendas.

2-17 - E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorará.

2-18 - Responderam, pois, os judeus e disseram-lhe: Que sinal nos mostras para fazeres isso?

2-19 - Jesus respondeu e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei.

2-20 - Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos, foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?

2-21 - Mas ele falava do templo do seu corpo.

2-22 - Quando, pois, ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isso; e creram na Escritura e na palavra que Jesus tinha dito.

2-23 - E, estando ele em Jerusalém pela Páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome.

2-24 - Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia

2-25 - e não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem.

3-1 - E havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.

3-2 - Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.

3-3 - Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.

3-4 - Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?

3-5 - Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.

3-6 - O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

3-7 - Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.

3-8 - O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

3-9 - Nicodemos respondeu e disse-lhe: Como pode ser isso?

3-10 - Jesus respondeu e disse-lhe: Tu és mestre de Israel e não sabes isso?

3-11 - Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que vimos, e não aceitais o nosso testemunho.

3-12 - Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?

3-13 - Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu.

3-14 - E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado,

3-15 - para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

3-16 - Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

3-17 - Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

3-18 - Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

3-19 - E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.

3-20 - Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas.

3-21 - Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.

3-22 - Depois disso, foi Jesus com os seus discípulos para a terra da Judéia; e estava ali com eles e batizava.

3-23 - Ora, João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham ali e eram batizados.

3-24 - Porque ainda João não tinha sido lançado na prisão.

3-25 - Houve, então, uma questão entre os discípulos de João e um judeu, acerca da purificação.

3-26 - E foram ter com João e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele.

3-27 - João respondeu e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do céu.

3-28 - Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele.

3-29 - Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já essa minha alegria está cumprida.

3-30 - É necessário que ele cresça e que eu diminua.

3-31 - Aquele que vem de cima é sobre todos, aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos.

3-32 - E aquilo que ele viu e ouviu, isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho.

3-33 - Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro.

3-34 - Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois não lhe dá Deus o Espírito por medida.

3-35 - O Pai ama o Filho e todas as coisas entregou nas suas mãos.

3-36 - Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.

4-1 - E, quando o Senhor veio a saber que os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João

4-2 - ( ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos ),

4-3 - deixou a Judéia e foi outra vez para a Galiléia.

4-4 - E era-lhe necessário passar por Samaria.

4-5 - Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José.

4-6 - E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isso quase à hora sexta.

4-7 - Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.

4-8 - Porque os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.

4-9 - Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana ( porque os judeus não se comunicam com os samaritanos )?

4-10 - Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.

4-11 - Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?

4-12 - És tu maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?

4-13 - Jesus respondeu e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede,

4-14 - mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.

4-15 - Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede e não venha aqui tirá-la.

4-16 - Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido e vem cá.

4-17 - A mulher respondeu e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido,

4-18 - porque tiveste cinco maridos e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade.

4-19 - Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.

4-20 - Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.

4-21 - Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.

4-22 - Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.

4-23 - Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

4-24 - Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.

4-25 - A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias ( que se chama o Cristo ) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo.

4-26 - Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo.

4-27 - E nisso vieram os seus discípulos e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher; todavia, nenhum lhe disse: Que perguntas? ou: Por que falas com ela?

4-28 - Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens:

4-29 - Vinde e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito; porventura, não é este o Cristo?

4-30 - Saíram, pois, da cidade e foram ter com ele.

4-31 - E, entretanto, os seus discípulos lhe rogaram, dizendo: Rabi, come.

4-32 - Porém ele lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis.

4-33 - Então, os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém de comer?

4-34 - Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.

4-35 - Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: levantai os vossos olhos e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa.

4-36 - E o que ceifa recebe galardão e ajunta fruto para a vida eterna, para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem.

4-37 - Porque nisso é verdadeiro o ditado: Um é o que semeia, e outro, o que ceifa.

4-38 - Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.

4-39 - E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito.

4-40 - Indo, pois, ter com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias.

4-41 - E muitos mais creram nele, por causa da sua palavra.

4-42 - E diziam à mulher: Já não é pelo que disseste que nós cremos, porque nós mesmos o temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo.

4-43 - E, dois dias depois, partiu dali e foi para a Galiléia.

4-44 - Porque Jesus mesmo testificou que um profeta não tem honra na sua própria pátria.

4-45 - Chegando, pois, à Galiléia, os galileus o receberam, porque viram todas as coisas que fizera em Jerusalém no dia da festa; porque também eles tinham ido à festa.

4-46 - Segunda vez foi Jesus a Caná da Galiléia, onde da água fizera vinho. E havia ali um oficial do rei, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum.

4-47 - Ouvindo este que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi ter com ele e rogou-lhe que descesse e curasse o seu filho, porque já estava à morte.

4-48 - Então, Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e milagres, não crereis.

4-49 - Disse-lhe o oficial: Senhor, desce, antes que meu filho morra.

4-50 - Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse e foi-se.

4-51 - E, descendo ele logo, saíram-lhe ao encontro os seus servos e lhe anunciaram, dizendo: O teu filho vive.

4-52 - Perguntou-lhes, pois, a que hora se achara melhor; e disseram-lhe: Ontem, às sete horas, a febre o deixou.

4-53 - Entendeu, pois, o pai que era aquela hora a mesma em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda a sua casa.

4-54 - Jesus fez este segundo milagre quando ia da Judéia para a Galiléia.

5-1 - Depois disso, havia uma festa entre os judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.

5-2 - Ora, em Jerusalém há, próximo à Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres.

5-3 - Nestes jazia grande multidão de enfermos: cegos, coxos e paralíticos, esperando o movimento das águas.

5-4 - Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.

5-5 - E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo.

5-6 - E Jesus, vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?

5-7 - O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me coloque no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim.

5-8 - Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda.

5-9 - Logo, aquele homem ficou são, e tomou a sua cama, e partiu. E aquele dia era sábado.

5-10 - Então, os judeus disseram àquele que tinha sido curado: É sábado, não te é lícito levar a cama.

5-11 - Ele respondeu-lhes: Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma a tua cama e anda.

5-12 - Perguntaram-lhe, pois: Quem é o homem que te disse: Toma a tua cama e anda?

5-13 - E o que fora curado não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado, em razão de naquele lugar haver grande multidão.

5-14 - Depois, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior.

5-15 - E aquele homem foi e anunciou aos judeus que Jesus era o que o curara.

5-16 - E, por essa causa, os judeus perseguiram Jesus e procuravam matá-lo, porque fazia essas coisas no sábado.

5-17 - E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.

5-18 - Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.

5-19 - Mas Jesus respondeu e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pai, porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.

5-20 - Porque o Pai ama ao Filho e mostra-lhe tudo o que faz; e ele lhe mostrará maiores obras do que estas, para que vos maravilheis.

5-21 - Pois assim como o Pai ressuscita os mortos e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer.

5-22 - E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo,

5-23 - para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai, que o enviou.

5-24 - Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.

5-25 - Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.

5-26 - Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo.

5-27 - E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do Homem.

5-28 - Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.

5-29 - E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação.

5-30 - Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo, e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai, que me enviou.

5-31 - Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro.

5-32 - Há outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro.

5-33 - Vós mandastes a João, e ele deu testemunho da verdade.

5-34 - Eu, porém, não recebo testemunho de homem, mas digo isso, para que vos salveis.

5-35 - Ele era a candeia que ardia e alumiava; e vós quisestes alegrar-vos por um pouco de tempo com a sua luz.

5-36 - Mas eu tenho maior testemunho do que o de João, porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço testificam de mim, de que o Pai me enviou.

5-37 - E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer;

5-38 - e a sua palavra não permanece em vós, porque naquele que ele enviou não credes vós.

5-39 - Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam.

5-40 - E não quereis vir a mim para terdes vida.

5-41 - Eu não recebo glória dos homens,

5-42 - mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus.

5-43 - Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis.

5-44 - Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros e não buscando a honra que vem só de Deus?

5-45 - Não cuideis que eu vos hei de acusar para com o Pai. Há um que vos acusa, Moisés, em quem vós esperais.

5-46 - Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim, porque de mim escreveu ele.

5-47 - Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?

6-1 - Depois disso, partiu Jesus para o outro lado do mar da Galiléia, que é o de Tiberíades.

6-2 - E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos.

6-3 - E Jesus subiu ao monte e assentou-se ali com os seus discípulos.

6-4 - E a Páscoa, a festa dos judeus, estava próxima.

6-5 - Então, Jesus, levantando os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem?

6-6 - Mas dizia isso para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de fazer.

6-7 - Filipe respondeu-lhe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco.

6-8 - E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:

6-9 - Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isso para tantos?

6-10 - E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil.

6-11 - E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos, pelos que estavam assentados; e igualmente também os peixes, quanto eles queriam.

6-12 - E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.

6-13 - Recolheram-nos, pois, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.

6-14 - Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo.

6-15 - Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte.

6-16 - E, quando veio a tarde, os seus discípulos desceram para o mar.

6-17 - E, entrando no barco, passaram o mar em direção a Cafarnaum; e era já escuro, e ainda Jesus não tinha chegado perto deles.

6-18 - E o mar se levantou, porque um grande vento assoprava.

6-19 - E, tendo navegado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram Jesus andando sobre o mar e aproximando-se do barco, e temeram.

6-20 - Porém ele lhes disse: Sou eu; não temais.

6-21 - Então, eles, de boa mente, o receberam no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam.

6-22 - No dia seguinte, a multidão que estava do outro lado do mar, vendo que não havia ali mais do que um barquinho e que Jesus não entrara com seus discípulos naquele barquinho, mas que os seus discípulos tinham ido sós

6-23 - ( contudo, outros barquinhos tinham chegado de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças );

6-24 - vendo, pois, a multidão que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, entraram eles também nos barcos e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus.

6-25 - E, achando-o no outro lado do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui?

6-26 - Jesus respondeu e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.

6-27 - Trabalhai não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do Homem vos dará, porque a este o Pai, Deus, o selou.

6-28 - Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?

6-29 - Jesus respondeu e disse-lhes: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou.

6-30 - Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu?

6-31 - Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu.

6-32 - Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu, mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.

6-33 - Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.

6-34 - Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão.

6-35 - E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede.

6-36 - Mas já vos disse que também vós me vistes e, contudo, não credes.

6-37 - Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.

6-38 - Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

6-39 - E a vontade do Pai, que me enviou, é esta: que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último Dia.

6-40 - Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho e crê nele tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último Dia.

6-41 - Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.

6-42 - E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?

6-43 - Respondeu, pois, Jesus e disse-lhes: Não murmureis entre vós.

6-44 - Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último Dia.

6-45 - Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.

6-46 - Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai.

6-47 - Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna.

6-48 - Eu sou o pão da vida.

6-49 - Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram.

6-50 - Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.

6-51 - Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer desse pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.

6-52 - Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer?

6-53 - Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.

6-54 - Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último Dia.

6-55 - Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.

6-56 - Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele.

6-57 - Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim quem de mim se alimenta também viverá por mim.

6-58 - Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.

6-59 - Ele disse essas coisas na sinagoga, ensinando em Cafarnaum.

6-60 - Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isso, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?

6-61 - Sabendo, pois, Jesus em si mesmo que os seus discípulos murmuravam a respeito disso, disse-lhes: Isto vos escandaliza?

6-62 - Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do Homem para onde primeiro estava?

6-63 - O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.

6-64 - Mas há alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam e quem era o que o havia de entregar.

6-65 - E dizia: Por isso, eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai lhe não for concedido.

6-66 - Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com ele.

6-67 - Então, disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?

6-68 - Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna,

6-69 - e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus.

6-70 - Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? E um de vós é um diabo.

6-71 - E isso dizia ele de Judas Iscariotes, filho de Simão, porque este o havia de entregar, sendo um dos doze.

7-1 - E, depois disso, Jesus andava pela Galiléia e já não queria andar pela Judéia, pois os judeus procuravam matá-lo.

7-2 - E estava próxima a festa dos judeus chamada de Festa dos Tabernáculos.

7-3 - Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes.

7-4 - Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes essas coisas, manifesta-te ao mundo.

7-5 - Porque nem mesmo seus irmãos criam nele.

7-6 - Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto.

7-7 - O mundo não vos pode odiar, mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más.

7-8 - Subi vós a esta festa; eu não subo ainda a esta festa, porque ainda o meu tempo não está cumprido.

7-9 - E, havendo-lhes dito isso, ficou na Galiléia.

7-10 - Mas, quando seus irmãos já tinham subido à festa, então, subiu ele também não manifestamente, mas como em oculto.

7-11 - Ora, os judeus procuravam-no na festa e diziam: Onde está ele?

7-12 - E havia grande murmuração entre a multidão a respeito dele. Diziam alguns: Ele é bom. E outros diziam: Não; antes, engana o povo.

7-13 - Todavia, ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus.

7-14 - Mas, no meio da festa, subiu Jesus ao templo e ensinava.

7-15 - E os judeus maravilhavam-se, dizendo: Como sabe este letras, não as tendo aprendido?

7-16 - Jesus respondeu e disse-lhes: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.

7-17 - Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina, conhecerá se ela é de Deus ou se eu falo de mim mesmo.

7-18 - Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória, mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça.

7-19 - Não vos deu Moisés a lei? E nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?

7-20 - A multidão respondeu e disse: Tens demônio; quem procura matar-te?

7-21 - Respondeu Jesus e disse-lhes: Fiz uma obra, e todos vos maravilhais.

7-22 - Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão ( não que fosse de Moisés, mas dos pais ), no sábado circuncidais um homem.

7-23 - Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque, no sábado, curei de todo um homem?

7-24 - Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.

7-25 - Então, alguns dos de Jerusalém diziam: Não é este o que procuram matar?

7-26 - E ei-lo aí está falando abertamente, e nada lhe dizem. Porventura, sabem, verdadeiramente, os príncipes, que este é o Cristo?

7-27 - Todavia, bem sabemos de onde este é; mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde ele é.

7-28 - Clamava, pois, Jesus no templo, ensinando e dizendo: Vós me conheceis e sabeis de onde sou; e eu não vim de mim mesmo, mas aquele que me enviou é verdadeiro, o qual vós não conheceis.

7-29 - Mas eu conheço-o, porque dele sou, e ele me enviou.

7-30 - Procuravam, pois, prendê-lo, mas ninguém lançou mão dele, porque ainda não era chegada a sua hora.

7-31 - E muitos da multidão creram nele e diziam: Quando o Cristo vier, fará ainda mais sinais do que os que este tem feito?

7-32 - Os fariseus ouviram que a multidão murmurava dele essas coisas; e os fariseus e os principais dos sacerdotes mandaram servidores para o prenderem.

7-33 - Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda um pouco de tempo estou convosco e, depois, vou para aquele que me enviou.

7-34 - Vós me buscareis e não me achareis; e aonde eu estou vós não podeis vir.

7-35 - Disseram, pois, os judeus uns para os outros: Para onde irá este, que o não acharemos? Irá, porventura, para os dispersos entre os gregos e ensinará os gregos?

7-36 - Que palavra é esta que disse: Buscar-me-eis e não me achareis; e: Aonde eu estou, vós não podeis ir?

7-37 - E, no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, que venha a mim e beba.

7-38 - Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.

7-39 - E isso disse ele do Espírito, que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.

7-40 - Então, muitos da multidão, ouvindo essa palavra, diziam: Verdadeiramente, este é o Profeta.

7-41 - Outros diziam: Este é o Cristo; mas diziam outros: Vem, pois, o Cristo da Galiléia?

7-42 - Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi e de Belém, da aldeia de onde era Davi?

7-43 - Assim, entre o povo havia dissensão por causa dele.

7-44 - E alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lançou mão dele.

7-45 - E os servidores foram ter com os principais dos sacerdotes e fariseus; e eles lhes perguntaram: Por que o não trouxestes?

7-46 - Responderam os servidores: Nunca homem algum falou assim como este homem.

7-47 - Responderam-lhes, pois, os fariseus: Também vós fostes enganados?

7-48 - Creu nele, porventura, algum dos principais ou dos fariseus?

7-49 - Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita.

7-50 - Nicodemos, que era um deles ( o que de noite fora ter com Jesus ), disse-lhes:

7-51 - Porventura, condena a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e ter conhecimento do que faz?

7-52 - Responderam eles e disseram-lhe: És tu também da Galiléia? Examina e verás que da Galiléia nenhum profeta surgiu.

7-53 - E cada um foi para sua casa.

8-1 - Porém Jesus foi para o monte das Oliveiras.

8-2 - E, pela manhã cedo, voltou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava.

8-3 - E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério.

8-4 - E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando,

8-5 - e, na lei, nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?

8-6 - Isso diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.

8-7 - E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se e disse-lhes: Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.

8-8 - E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra.

8-9 - Quando ouviram isso, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficaram só Jesus e a mulher, que estava no meio.

8-10 - E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?

8-11 - E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais.

8-12 - Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.

8-13 - Disseram-lhe, pois, os fariseus: Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro.

8-14 - Respondeu Jesus e disse-lhes: Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde vim e para onde vou; mas vós não sabeis de onde vim, nem para onde vou.

8-15 - Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo.

8-16 - E, se, na verdade, julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai, que me enviou.

8-17 - E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro.

8-18 - Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai, que me enviou.

8-19 - Disseram-lhe, pois: Onde está teu Pai? Jesus respondeu: Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai.

8-20 - Essas palavras disse Jesus no lugar do tesouro, ensinando no templo, e ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora.

8-21 - Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Eu retiro-me, e buscar-me-eis e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou não podeis vós ir.

8-22 - Diziam, pois, os judeus: Porventura, quererá matar-se a si mesmo, pois diz: Para onde eu vou não podeis vós ir?

8-23 - E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.

8-24 - Por isso, vos disse que morrereis em vossos pecados, porque, se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.

8-25 - Disseram-lhe, pois: Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse.

8-26 - Muito tenho que dizer e julgar de vós, mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele tenho ouvido, isso falo ao mundo.

8-27 - Mas não entenderam que ele lhes falava do Pai.

8-28 - Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do Homem, então, conhecereis quem eu sou e que nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou.

8-29 - E aquele que me enviou está comigo; o Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada.

8-30 - Dizendo ele essas coisas, muitos creram nele.

8-31 - Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos

8-32 - e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

8-33 - Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?

8-34 - Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado.

8-35 - Ora, o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre.

8-36 - Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres.

8-37 - Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não entra em vós.

8-38 - Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai.

8-39 - Responderam e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão.

8-40 - Mas, agora, procurais matar-me a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isso.

8-41 - Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus.

8-42 - Disse-lhes, pois, Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente, me amaríeis, pois que eu saí e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou.

8-43 - Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra.

8-44 - Vós tendes por pai ao diabo e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele foi homicida desde o princípio e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.

8-45 - Mas porque vos digo a verdade, não me credes.

8-46 - Quem dentre vós me convence de pecado? E, se vos digo a verdade, por que não credes?

8-47 - Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso, vós não as escutais, porque não sois de Deus.

8-48 - Responderam, pois, os judeus e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que és samaritano e que tens demônio?

8-49 - Jesus respondeu: Eu não tenho demônio; antes, honro a meu Pai, e vós me desonrais.

8-50 - Eu não busco a minha glória; há quem a busque e julgue.

8-51 - Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.

8-52 - Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora, conhecemos que tens demônio. Morreu Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte.

8-53 - És tu maior do que Abraão, o nosso pai, que morreu? E também os profetas morreram; quem te fazes tu ser?

8-54 - Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus.

8-55 - E vós não o conheceis, mas eu conheço-o; e, se disser que não o conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra.

8-56 - Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.

8-57 - Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos e viste Abraão?

8-58 - Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou.

8-59 - Então, pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.

9-1 - E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença.

9-2 - E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?

9-3 - Jesus respondeu: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.

9-4 - Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.

9-5 - Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.

9-6 - Tendo dito isso, cuspiu na terra, e, com a saliva, fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego.

9-7 - E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé ( que significa o Enviado ). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo.

9-8 - Então, os vizinhos e aqueles que dantes tinham visto que era cego diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava?

9-9 - Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu.

9-10 - Diziam-lhe, pois: Como se te abriram os olhos?

9-11 - Ele respondeu e disse-lhes: O homem chamado Jesus fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé e lava-te. Então, fui, e lavei-me, e vi.

9-12 - Disseram-lhe, pois: Onde está ele? Respondeu: Não sei.

9-13 - Levaram, pois, aos fariseus o que dantes era cego.

9-14 - E era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.

9-15 - Tornaram, pois, também os fariseus a perguntar-lhe como vira, e ele lhes disse: Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me e vejo.

9-16 - Então, alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles.

9-17 - Tornaram, pois, a dizer ao cego: Tu que dizes daquele que te abriu os olhos? E ele respondeu: Que é profeta.

9-18 - Os judeus, porém, não creram que ele tivesse sido cego e que agora visse, enquanto não chamaram os pais do que agora via.

9-19 - E perguntaram-lhes, dizendo: É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Como, pois, vê agora?

9-20 - Seus pais responderam e disseram-lhes: Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego,

9-21 - mas como agora vê não sabemos; ou quem lhe tenha aberto os olhos não sabemos; tem idade; perguntai-lho a ele mesmo, e ele falará por si mesmo.

9-22 - Seus pais disseram isso, porque temiam os judeus, porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser ele o Cristo, fosse expulso da sinagoga.

9-23 - Por isso, é que seus pais disseram: Tem idade; perguntai-lho a ele mesmo.

9-24 - Chamaram, pois, pela segunda vez o homem que tinha sido cego e disseram-lhe: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.

9-25 - Respondeu ele, pois, e disse: Se é pecador, não sei; uma coisa sei, e é que, havendo eu sido cego, agora vejo.

9-26 - E tornaram a dizer-lhe: Que te fez ele? Como te abriu os olhos?

9-27 - Respondeu-lhes: Já vo-lo disse e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós, porventura, fazer-vos também seus discípulos?

9-28 - Então, o injuriaram e disseram: Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés.

9-29 - Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos de onde é.

9-30 - O homem respondeu e disse-lhes: Nisto, pois, está a maravilha: que vós não saibais de onde ele é e me abrisse os olhos.

9-31 - Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus e faz a sua vontade, a esse ouve.

9-32 - Desde o princípio do mundo, nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.

9-33 - Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.

9-34 - Responderam eles e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados e nos ensinas a nós? E expulsaram-no.

9-35 - Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus?

9-36 - Ele respondeu e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia?

9-37 - E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo.

9-38 - Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou.

9-39 - E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam e os que vêem sejam cegos.

9-40 - Aqueles dos fariseus que estavam com ele, ouvindo isso, disseram-lhe: Também nós somos cegos?

9-41 - Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos, por isso, o vosso pecado permanece.

10-1 - Na verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.

10-2 - Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas.

10-3 - A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas e as traz para fora.

10-4 - E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.

10-5 - Mas, de modo nenhum, seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.

10-6 - Jesus disse-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que era que lhes dizia.

10-7 - Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.

10-8 - Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram.

10-9 - Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.

10-10 - O ladrão não vem senão a roubar, a matar e a destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância.

10-11 - Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

10-12 - Mas o mercenário, que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa.

10-13 - Ora, o mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado das ovelhas.

10-14 - Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.

10-15 - Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai e dou a minha vida pelas ovelhas.

10-16 - Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor.

10-17 - Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.

10-18 - Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la. Esse mandamento recebi de meu Pai.

10-19 - Tornou, pois, a haver divisão entre os judeus por causa dessas palavras.

10-20 - E muitos deles diziam: Tem demônio e está fora de si; por que o ouvis?

10-21 - Diziam outros: Estas palavras não são de endemoninhado; pode, porventura, um demônio abrir os olhos aos cegos?

10-22 - E em Jerusalém havia a Festa da Dedicação, e era inverno.

10-23 - E Jesus passeava no templo, no alpendre de Salomão.

10-24 - Rodearam-no, pois, os judeus e disseram-lhe: Até quando terás a nossa alma suspensa? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente.

10-25 - Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas testificam de mim.

10-26 - Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito.

10-27 - As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem;

10-28 - e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos.

10-29 - Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las das mãos de meu Pai.

10-30 - Eu e o Pai somos um.

10-31 - Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem.

10-32 - Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual dessas obras me apedrejais?

10-33 - Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.

10-34 - Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses?

10-35 - Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida ( e a Escritura não pode ser anulada ),

10-36 - àquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?

10-37 - Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis.

10-38 - Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras, para que conheçais e acrediteis que o Pai está em mim, e eu, nele.

10-39 - Procuravam, pois, prendê-lo outra vez, mas ele escapou de suas mãos,

10-40 - e retirou-se outra vez para além do Jordão, para o lugar onde João tinha primeiramente batizado, e ali ficou.

10-41 - E muitos iam ter com ele e diziam: Na verdade, João não fez sinal algum, mas tudo quanto João disse deste era verdade.

10-42 - E muitos ali creram nele.

11-1 - Estava, então, enfermo um certo Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta.

11-2 - E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com ungüento e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão, Lázaro, estava enfermo.

11-3 - Mandaram-lhe, pois, suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas.

11-4 - E Jesus, ouvindo isso, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.

11-5 - Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.

11-6 - Ouvindo, pois, que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde estava.

11-7 - Depois disso, disse aos seus discípulos: Vamos outra vez para a Judéia.

11-8 - Disseram-lhe os discípulos: Rabi, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e tornas para lá?

11-9 - Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo.

11-10 - Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz.

11-11 - Assim falou e, depois, disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono.

11-12 - Disseram, pois, os seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo.

11-13 - Mas Jesus dizia isso da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono.

11-14 - Então, Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto,

11-15 - e folgo, por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que acrediteis. Mas vamos ter com ele.

11-16 - Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele.

11-17 - Chegando, pois, Jesus, achou que já havia quatro dias que estava na sepultura.

11-18 - ( Ora, Betânia distava de Jerusalém quase quinze estádios. )

11-19 - E muitos dos judeus tinham ido consolar a Marta e a Maria, acerca de seu irmão.

11-20 - Ouvindo, pois, Marta que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro; Maria, porém, ficou assentada em casa.

11-21 - Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

11-22 - Mas também, agora, sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá.

11-23 - Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar.

11-24 - Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último Dia.

11-25 - Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;

11-26 - e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Crês tu isso?

11-27 - Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.

11-28 - E, dito isso, partiu e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo: O Mestre está aqui e chama-te.

11-29 - Ela, ouvindo isso, levantou-se logo e foi ter com ele.

11-30 - ( Ainda Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar onde Marta o encontrara. )

11-31 - Vendo, pois, os judeus que estavam com ela em casa e a consolavam que Maria apressadamente se levantara e saíra, seguiram-na, dizendo: Vai ao sepulcro para chorar ali.

11-32 - Tendo, pois, Maria chegado aonde Jesus estava e vendo-o, lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

11-33 - Jesus, pois, quando a viu chorar e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito e perturbou-se.

11-34 - E disse: Onde o pusestes? Disseram-lhe: Senhor, vem e vê.

11-35 - Jesus chorou.

11-36 - Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava.

11-37 - E alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse?

11-38 - Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, foi ao sepulcro; e era uma caverna e tinha uma pedra posta sobre ela.

11-39 - Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias.

11-40 - Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?

11-41 - Tiraram, pois, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido.

11-42 - Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isso por causa da multidão que está ao redor, para que creiam que tu me enviaste.

11-43 - E, tendo dito isso, clamou com grande voz: Lázaro, vem para fora.

11-44 - E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto, envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.

11-45 - Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo a Maria e que tinham visto o que Jesus fizera creram nele.

11-46 - Mas alguns deles foram ter com os fariseus e disseram-lhes o que Jesus tinha feito.

11-47 - Depois, os principais dos sacerdotes e os fariseus formaram conselho e diziam: Que faremos? Porquanto este homem faz muitos sinais.

11-48 - Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação.

11-49 - E Caifás, um deles, que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis,

11-50 - nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo e que não pereça toda a nação.

11-51 - Ora, ele não disse isso de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação.

11-52 - E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos.

11-53 - Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem.

11-54 - Jesus, pois, já não andava manifestamente entre os judeus, mas retirou-se dali para a terra junto do deserto, para uma cidade chamada Efraim; e ali andava com os seus discípulos.

11-55 - E estava próxima a Páscoa dos judeus, e muitos daquela região subiram a Jerusalém antes da Páscoa, para se purificarem.

11-56 - Buscavam, pois, a Jesus e diziam uns aos outros, estando no templo: Que vos parece? Não virá à festa?

11-57 - Ora, os principais dos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para que, se alguém soubesse onde ele estava, o denunciasse, para o prenderem.

12-1 - Foi, pois, Jesus seis dias antes da Páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera e a quem ressuscitara dos mortos.

12-2 - Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.

12-3 - Então, Maria, tomando uma libra de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento.

12-4 - Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse:

12-5 - Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros, e não se deu aos pobres?

12-6 - Ora, ele disse isso não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão, e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.

12-7 - Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto.

12-8 - Porque os pobres, sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes.

12-9 - E muita gente dos judeus soube que ele estava ali; e foram, não só por causa de Jesus, mas também para ver a Lázaro, a quem ressuscitara dos mortos.

12-10 - E os principais dos sacerdotes tomaram deliberação para matar também a Lázaro,

12-11 - porque muitos dos judeus, por causa dele, iam e criam em Jesus.

12-12 - No dia seguinte, ouvindo uma grande multidão que viera à festa que Jesus vinha a Jerusalém,

12-13 - tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor!

12-14 - E achou Jesus um jumentinho e assentou-se sobre ele, como está escrito:

12-15 - Não temas, ó filha de Sião! Eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta.

12-16 - Os seus discípulos, porém, não entenderam isso no princípio; mas, quando Jesus foi glorificado, então, se lembraram de que isso estava escrito dele e que isso lhe fizeram.

12-17 - A multidão, pois, que estava com ele quando Lázaro foi chamado da sepultura testificava que ele o ressuscitara dos mortos.

12-18 - Pelo que a multidão lhe saiu ao encontro, porque tinham ouvido que ele fizera este sinal.

12-19 - Disseram, pois, os fariseus entre si: Vedes que nada aproveitais? Eis que todos vão após ele.

12-20 - Ora, havia alguns gregos entre os que tinham subido a adorar no dia da festa.

12-21 - Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus.

12-22 - Filipe foi dizê-lo a André, e, então, André e Filipe o disseram a Jesus.

12-23 - E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do Homem há de ser glorificado.

12-24 - Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.

12-25 - Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem, neste mundo, aborrece a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna.

12-26 - Se alguém me serve, siga-me; e, onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará.

12-27 - Agora, a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isso vim a esta hora.

12-28 - Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado e outra vez o glorificarei.

12-29 - Ora, a multidão que ali estava e que a tinha ouvido dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Um anjo lhe falou.

12-30 - Respondeu Jesus e disse: Não veio esta voz por amor de mim, mas por amor de vós.

12-31 - Agora, é o juízo deste mundo; agora, será expulso o príncipe deste mundo.

12-32 - E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.

12-33 - E dizia isso significando de que morte havia de morrer.

12-34 - Respondeu-lhe a multidão: Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre, e como dizes tu que convém que o Filho do Homem seja levantado? Quem é esse Filho do Homem?

12-35 - Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo; andai enquanto tendes luz, para que as trevas vos não apanhem, pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai.

12-36 - Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Essas coisas disse Jesus; e, retirando-se, escondeu-se deles.

12-37 - E, ainda que tivesse feito tantos sinais diante deles, não criam nele,

12-38 - para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?

12-39 - Por isso, não podiam crer, pelo que Isaías disse outra vez:

12-40 - Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure.

12-41 - Isaías disse isso quando viu a sua glória e falou dele.

12-42 - Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga.

12-43 - Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.

12-44 - E Jesus clamou e disse: Quem crê em mim crê não em mim, mas naquele que me enviou.

12-45 - E quem me vê a mim vê aquele que me enviou.

12-46 - Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.

12-47 - E, se alguém ouvir as minhas palavras e não crer, eu não o julgo, porque eu vim não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.

12-48 - Quem me rejeitar a mim e não receber as minhas palavras já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último Dia.

12-49 - Porque eu não tenho falado de mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar.

12-50 - E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito.

13-1 - Ora, antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.

13-2 - E, acabada a ceia, tendo já o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse,

13-3 - Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus, e que ia para Deus,

13-4 - levantou-se da ceia, tirou as vestes e, tomando uma toalha, cingiu-se.

13-5 - Depois, pôs água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.

13-6 - Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim?

13-7 - Respondeu Jesus e disse-lhe: O que eu faço, não o sabes tu, agora, mas tu o saberás depois.

13-8 - Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo.

13-9 - Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.

13-10 - Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. Ora, vós estais limpos, mas não todos.

13-11 - Porque bem sabia ele quem o havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais limpos.

13-12 - Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito?

13-13 - Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou.

13-14 - Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.

13-15 - Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.

13-16 - Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou.

13-17 - Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.

13-18 - Não falo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para que se cumpra a Escritura: O que come o pão comigo levantou contra mim o seu calcanhar.

13-19 - Desde agora, vo-lo digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou.

13-20 - Na verdade, na verdade vos digo que se alguém receber o que eu enviar, me recebe a mim, e quem me recebe a mim recebe aquele que me enviou.

13-21 - Tendo Jesus dito isso, turbou-se em espírito e afirmou, dizendo: Na verdade, na verdade vos digo que um de vós me há de trair.

13-22 - Então, os discípulos olhavam uns para os outros, sem saberem de quem ele falava.

13-23 - Ora, um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus.

13-24 - Então, Simão Pedro fez sinal a este, para que perguntasse quem era aquele de quem ele falava.

13-25 - E, inclinando-se ele sobre o peito de Jesus, disse-lhe: Senhor, quem é?

13-26 - Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o bocado molhado. E, molhando o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho de Simão.

13-27 - E, após o bocado, entrou nele Satanás. Disse, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa.

13-28 - E nenhum dos que estavam assentados à mesa compreendeu a que propósito lhe dissera isso,

13-29 - porque, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe tinha dito: Compra o que nos é necessário para a festa ou que desse alguma coisa aos pobres.

13-30 - E, tendo Judas tomado o bocado, saiu logo. E era já noite.

13-31 - Tendo ele, pois, saído, disse Jesus: Agora, é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele.

13-32 - Se Deus é glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo e logo o há de glorificar.

13-33 - Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Vós me buscareis, e, como tinha dito aos judeus: para onde eu vou não podeis vós ir, eu vo-lo digo também agora.

13-34 - Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.

13-35 - Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.

13-36 - Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus lhe respondeu: Para onde eu vou não podes, agora, seguir-me, mas, depois, me seguirás.

13-37 - Disse-lhe Pedro: Por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a minha vida.

13-38 - Respondeu-lhe Jesus: Tu darás a tua vida por mim? Na verdade, na verdade te digo que não cantará o galo, enquanto me não tiveres negado três vezes.

14-1 - Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.

14-2 - Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito, pois vou preparar-vos lugar.

14-3 - E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também.

14-4 - Mesmo vós sabeis para onde vou e conheceis o caminho.

14-5 - Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais e como podemos saber o caminho?

14-6 - Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.

14-7 - Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis e o tendes visto.

14-8 - Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.

14-9 - Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

14-10 - Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.

14-11 - Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.

14-12 - Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.

14-13 - E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.

14-14 - Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.

14-15 - Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.

14-16 - E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre,

14-17 - o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco e estará em vós.

14-18 - Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.

14-19 - Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis.

14-20 - Naquele dia, conhecereis que estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós.

14-21 - Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.

14-22 - Disse-lhe Judas ( não o Iscariotes ): Senhor, de onde vem que te hás de manifestar a nós e não ao mundo?

14-23 - Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.

14-24 - Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou.

14-25 - Tenho-vos dito isso, estando convosco.

14-26 - Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

14-27 - Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

14-28 - Ouvistes o que eu vos disse: vou e venho para vós. Se me amásseis, certamente, exultaríeis por ter dito: vou para o Pai, porque o Pai é maior do que eu.

14-29 - Eu vo-lo disse, agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.

14-30 - Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo e nada tem em mim.

14-31 - Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui.

15-1 - Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador.

15-2 - Toda vara em mim que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.

15-3 - Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado.

15-4 - Estai em mim, e eu, em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.

15-5 - Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer.

15-6 - Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.

15-7 - Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.

15-8 - Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos.

15-9 - Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor.

15-10 - Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor.

15-11 - Tenho-vos dito isso para que a minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa.

15-12 - O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.

15-13 - Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.

15-14 - Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.

15-15 - Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.

15-16 - Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vos conceda.

15-17 - Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros.

15-18 - Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim.

15-19 - Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos aborrece.

15-20 - Lembrai-vos da palavra que vos disse: não é o servo maior do que o seu senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardarem a minha palavra, também guardarão a vossa.

15-21 - Mas tudo isso vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.

15-22 - Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas, agora, não têm desculpa do seu pecado.

15-23 - Aquele que me aborrece aborrece também a meu Pai.

15-24 - Se eu, entre eles, não fizesse tais obras, quais nenhum outro têm feito, não teriam pecado; mas, agora, viram-nas e me aborreceram a mim e a meu Pai.

15-25 - Mas é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Aborreceram-me sem causa.

15-26 - Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede do Pai, testificará de mim.

15-27 - E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio.

16-1 - Tenho-vos dito essas coisas para que vos não escandalizeis.

16-2 - Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus.

16-3 - E isso vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim.

16-4 - Mas tenho-vos dito isso, a fim de que, quando chegar aquela hora, vos lembreis de que já vo-lo tinha dito; e eu não vos disse isso desde o princípio, porque estava convosco.

16-5 - E, agora, vou para aquele que me enviou; e nenhum de vós me pergunta: Para onde vais?

16-6 - Antes, porque isso vos tenho dito, o vosso coração se encheu de tristeza.

16-7 - Todavia, digo-vos a verdade: que vos convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, enviar-vo-lo-ei.

16-8 - E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo:

16-9 - do pecado, porque não crêem em mim;

16-10 - da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais;

16-11 - e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.

16-12 - Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.

16-13 - Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir.

16-14 - Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.

16-15 - Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso, vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.

16-16 - Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis, porquanto vou para o Pai.

16-17 - Então, alguns dos seus discípulos disseram uns para os outros: Que é isto que nos diz: Um pouco, e não me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis; e: Porquanto vou para o Pai?

16-18 - Diziam, pois: Que quer dizer isto: um pouco? Não sabemos o que diz.

16-19 - Conheceu, pois, Jesus que o queriam interrogar e disse-lhes: Indagais entre vós acerca disto que disse: um pouco, e não me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis?

16-20 - Na verdade, na verdade vos digo que vós chorastes e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes; mas a vossa tristeza se converterá em alegria.

16-21 - A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já se não lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.

16-22 - Assim também vós, agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria, ninguém vo-la tirará.

16-23 - E, naquele dia, nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar.

16-24 - Até agora, nada pedistes em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria se cumpra.

16-25 - Disse-vos isso por parábolas; chega, porém, a hora em que vos não falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai.

16-26 - Naquele dia, pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai,

16-27 - pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes e crestes que saí de Deus.

16-28 - Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o Pai.

16-29 - Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que, agora, falas abertamente e não dizes parábola alguma.

16-30 - Agora, conhecemos que sabes tudo e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso, cremos que saíste de Deus.

16-31 - Respondeu-lhes Jesus: Credes, agora?

16-32 - Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos, cada um para sua casa, e me deixareis só, mas não estou só, porque o Pai está comigo.

16-33 - Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.

17-1 - Jesus falou essas coisas e, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti,

17-2 - assim como lhe deste poder sobre toda carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste.

17-3 - E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

17-4 - Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer.

17-5 - E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.

17-6 - Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra.

17-7 - Agora, já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti,

17-8 - porque lhes dei as palavras que me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste.

17-9 - Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.

17-10 - E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e nisso sou glorificado.

17-11 - E eu já não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós.

17-12 - Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse.

17-13 - Mas, agora, vou para ti e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos.

17-14 - Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.

17-15 - Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.

17-16 - Não são do mundo, como eu do mundo não sou.

17-17 - Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.

17-18 - Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.

17-19 - E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.

17-20 - Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que, pela sua palavra, hão de crer em mim;

17-21 - para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

17-22 - E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.

17-23 - Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim e que tens amado a eles como me tens amado a mim.

17-24 - Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me hás amado antes da criação do mundo.

17-25 - Pai justo, o mundo não te conheceu; mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste a mim.

17-26 - E eu lhes fiz conhecer o teu nome e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja.

18-1 - Tendo Jesus dito isso, saiu com os seus discípulos para além do ribeiro de Cedrom, onde havia um horto, no qual ele entrou com os seus discípulos.

18-2 - E Judas, que o traía, também conhecia aquele lugar, porque Jesus muitas vezes se ajuntava ali com os seus discípulos.

18-3 - Tendo, pois, Judas recebido a coorte e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, veio para ali com lanternas, e archotes, e armas.

18-4 - Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se e disse-lhes: A quem buscais?

18-5 - Responderam-lhe: A Jesus, o Nazareno. Disse-lhes Jesus: Sou eu. E Judas, que o traía, estava também com eles.

18-6 - Quando, pois, lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra.

18-7 - Tornou-lhes, pois, a perguntar: A quem buscais? E eles disseram: A Jesus, o Nazareno.

18-8 - Jesus respondeu: Já vos disse que sou eu; se, pois me buscais a mim, deixai ir estes,

18-9 - para se cumprir a palavra que tinha dito: Dos que me deste nenhum deles perdi.

18-10 - Então, Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco.

18-11 - Mas Jesus disse a Pedro: Mete a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?

18-12 - Então, a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus, e o manietaram,

18-13 - e conduziram-no primeiramente a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano.

18-14 - Ora, Caifás era quem tinha aconselhado aos judeus que convinha que um homem morresse pelo povo.

18-15 - E Simão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus. E este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus na sala do sumo sacerdote.

18-16 - E Pedro estava da parte de fora, à porta. Saiu, então, o outro discípulo que era conhecido do sumo sacerdote e falou à porteira, levando Pedro para dentro.

18-17 - Então, a porteira disse a Pedro: Não és tu também dos discípulos deste homem? Disse ele: Não sou.

18-18 - Ora, estavam ali os servos e os criados, que tinham feito brasas, e se aquentavam, porque fazia frio; e com eles estava Pedro, aquentando-se também.

18-19 - E o sumo sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.

18-20 - Jesus lhe respondeu: Eu falei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde todos os judeus se ajuntam, e nada disse em oculto.

18-21 - Para que me perguntas a mim? Pergunta aos que ouviram o que é que lhes ensinei; eis que eles sabem o que eu lhes tenho dito.

18-22 - E, tendo dito isso, um dos criados que ali estavam deu uma bofetada em Jesus, dizendo: Assim respondes ao sumo sacerdote?

18-23 - Respondeu-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; e, se bem, porque me feres?

18-24 - Anás mandou-o, manietado, ao sumo sacerdote Caifás.

18-25 - E Simão Pedro estava ali e aquentava-se. Disseram-lhe, pois: Não és também tu um dos seus discípulos? Ele negou e disse: Não sou.

18-26 - E um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse: Não te vi eu no horto com ele?

18-27 - E Pedro negou outra vez, e logo o galo cantou.

18-28 - Depois, levaram Jesus da casa de Caifás para a audiência. E era pela manhã cedo. E não entraram na audiência, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa.

18-29 - Então, Pilatos saiu e disse-lhes: Que acusação trazeis contra este homem?

18-30 - Responderam e disseram-lhe: Se este não fosse malfeitor, não to entregaríamos.

18-31 - Disse-lhes, pois, Pilatos: Levai-o vós e julgai-o segundo a vossa lei. Disseram-lhe, então, os judeus: A nós não nos é lícito matar pessoa alguma.

18-32 - ( Para que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer. )

18-33 - Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o rei dos judeus?

18-34 - Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo ou disseram-to outros de mim?

18-35 - Pilatos respondeu: Porventura, sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?

18-36 - Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino não é daqui.

18-37 - Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.

18-38 - Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isso, voltou até os judeus e disse-lhes: Não acho nele crime algum.

18-39 - Mas vós tendes por costume que eu vos solte alguém por ocasião da Páscoa. Quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus?

18-40 - Então, todos voltaram a gritar, dizendo: Este não, mas Barrabás! E Barrabás era um salteador.

19-1 - Pilatos, pois, tomou, então, a Jesus e o açoitou.

19-2 - E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça e lhe vestiram uma veste de púrpura.

19-3 - E diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas.

19-4 - Então, Pilatos saiu outra vez fora e disse-lhes: Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum.

19-5 - Saiu, pois, Jesus, levando a coroa de espinhos e a veste de púrpura. E disse-lhes Pilatos: Eis aqui o homem.

19-6 - Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, gritaram, dizendo: Crucifica-o! Crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós e crucificai-o, porque eu nenhum crime acho nele.

19-7 - Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei, e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.

19-8 - E Pilatos, quando ouviu essa palavra, mais atemorizado ficou.

19-9 - E entrou outra vez na audiência e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta.

19-10 - Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?

19-11 - Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.

19-12 - Desde então, Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus gritavam, dizendo: Se soltas este, não és amigo do César! Qualquer que se faz rei é contra o César!

19-13 - Ouvindo, pois, Pilatos esse dito, levou Jesus para fora e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico o nome é Gabatá.

19-14 - E era a preparação da Páscoa e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso rei.

19-15 - Mas eles bradaram: Tira! Tira! Crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso rei? Responderam os principais dos sacerdotes: Não temos rei, senão o César.

19-16 - Então, entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus e o levaram.

19-17 - E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, que em hebraico se chama Gólgota,

19-18 - onde o crucificaram, e, com ele, outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.

19-19 - E Pilatos escreveu também um título e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEUS.

19-20 - E muitos dos judeus leram este título, porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim.

19-21 - Diziam, pois, os principais sacerdotes dos judeus a Pilatos: Não escrevas, Rei dos judeus, mas que ele disse: Sou Rei dos judeus.

19-22 - Respondeu Pilatos: O que escrevi escrevi.

19-23 - Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte, e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura.

19-24 - Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será. Isso foi assim para que se cumprisse a Escritura, que diz: Dividiram entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram essas coisas.

19-25 - E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.

19-26 - Ora, Jesus, vendo ali sua mãe e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho.

19-27 - Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.

19-28 - Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede.

19-29 - Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja e, pondo-a num hissopo, lha chegaram à boca.

19-30 - E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

19-31 - Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação ( pois era grande o dia de sábado ), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados.

19-32 - Foram, pois, os soldados e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele fora crucificado.

19-33 - Mas, vindo a Jesus e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas.

19-34 - Contudo, um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.

19-35 - E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro, e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais.

19-36 - Porque isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado.

19-37 - E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram.

19-38 - Depois disso, José de Arimatéia ( o que era discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus ) rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu. Então, foi e tirou o corpo de Jesus.

19-39 - E foi também Nicodemos ( aquele que, anteriormente, se dirigira de noite a Jesus ), levando quase cem libras de um composto de mirra e aloés.

19-40 - Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer na preparação para o sepulcro.

19-41 - E havia um horto naquele lugar onde fora crucificado e, no horto, um sepulcro novo, em que ainda ninguém havia sido posto.

19-42 - Ali, pois ( por causa da preparação dos judeus e por estar perto aquele sepulcro ), puseram a Jesus.

20-1 - E, no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.

20-2 - Correu, pois, e foi a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram.

20-3 - Então, Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao sepulcro.

20-4 - E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.

20-5 - E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia, não entrou.

20-6 - Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis

20-7 - e que o lenço que tinha estado sobre a sua cabeça não estava com os lençóis, mas enrolado, num lugar à parte.

20-8 - Então, entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu.

20-9 - Porque ainda não sabiam a Escritura, que diz que era necessário que ressuscitasse dos mortos.

20-10 - Tornaram, pois, os discípulos para casa.

20-11 - E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro

20-12 - e viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.

20-13 - E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.

20-14 - E, tendo dito isso, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus.

20-15 - Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.

20-16 - Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni ( que quer dizer Mestre )!

20-17 - Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.

20-18 - Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor e que ele lhe dissera isso.

20-19 - Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco!

20-20 - E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor.

20-21 - Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.

20-22 - E, havendo dito isso, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.

20-23 - Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes são perdoados; e, àqueles a quem os retiverdes, lhes são retidos.

20-24 - Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.

20-25 - Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.

20-26 - E, oito dias depois, estavam outra vez os seus discípulos dentro, e, com eles, Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco!

20-27 - Depois, disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega a tua mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente.

20-28 - Tomé respondeu e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!

20-29 - Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram!

20-30 - Jesus, pois, operou também, em presença de seus discípulos, muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro.

20-31 - Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

21-1 - Depois disso, manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos, junto ao mar de Tiberíades; e manifestou-se assim:

21-2 - estavam juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galiléia, e os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos.

21-3 - Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Disseram-lhe eles: Também nós vamos contigo. Foram, e subiram logo para o barco, e naquela noite nada apanharam.

21-4 - E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus.

21-5 - Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não.

21-6 - E ele lhes disse: Lançai a rede à direita do barco e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes.

21-7 - Então, aquele discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica ( porque estava nu ) e lançou-se ao mar.

21-8 - E os outros discípulos foram com o barco ( porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados ), levando a rede cheia de peixes.

21-9 - Logo que saltaram em terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão.

21-10 - Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes.

21-11 - Simão Pedro subiu e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes; e, sendo tantos, não se rompeu a rede.

21-12 - Disse-lhes Jesus: Vinde, jantai. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? Porque sabiam que era o Senhor.

21-13 - Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lho, e, semelhantemente, o peixe.

21-14 - E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos depois de ter ressuscitado dos mortos.

21-15 - E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros.

21-16 - Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.

21-17 - Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.

21-18 - Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias: mas, quando já fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde tu não queiras.

21-19 - E disse isso significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isso, disse-lhe: Segue-me.

21-20 - E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair?

21-21 - Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será?

21-22 - Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu.

21-23 - Divulgou-se, pois, entre os irmãos o dito de que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?

21-24 - Este é o discípulo que testifica dessas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.

21-25 - Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e, se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém!