A Bíblia - ON LINE - 2 Samuel - 2SM

1-1 - E, depois da morte de Saul, voltando Davi da derrota dos amalequitas e ficando Davi dois dias em Ziclague,

1-2 - sucedeu, ao terceiro dia, que um homem veio do arraial de Saul com as vestes rotas e com terra sobre a cabeça; e sucedeu que, chegando ele a Davi, se lançou no chão e se inclinou.

1-3 - E Davi lhe disse: De onde vens? E ele lhe disse: Escapei do exército de Israel.

1-4 - E disse-lhe Davi: Como foi lá isso? Peço-te, dize-me. E ele lhe respondeu: O povo fugiu da batalha, e muitos do povo caíram e morreram, assim como também Saul e Jônatas, seu filho, foram mortos.

1-5 - E disse Davi ao jovem que lhe trazia as novas: Como sabes tu que Saul e Jônatas, seu filho, são mortos?

1-6 - Então, disse o jovem que lhe dava a notícia: Cheguei por acaso à montanha de Gilboa, e eis que Saul estava encostado sobre a sua lança, e eis que os carros e capitães de cavalaria apertavam com ele.

1-7 - E, olhando ele para trás de si, viu-me a mim e chamou-me; e eu disse: Eis-me aqui.

1-8 - E ele me disse: Quem és tu? E eu lhe disse: Sou amalequita.

1-9 - Então, ele me disse: Peço-te, arremessa-te sobre mim e mata-me, porque angústias me têm cercado, pois toda a minha vida está ainda em mim.

1-10 - Arremessei-me, pois, sobre ele, e o matei, porque bem sabia eu que não viveria depois da sua queda, e tomei a coroa que tinha na cabeça e a manilha que trazia no braço, e as trouxe aqui a meu senhor.

1-11 - Então, apanhou Davi as suas vestes e as rasgou, como também todos os homens que estavam com ele.

1-12 - E prantearam, e choraram, e jejuaram até à tarde por Saul, e por Jônatas, seu filho, e pelo povo do SENHOR, e pela casa de Israel, porque tinham caído à espada.

1-13 - Disse, então, Davi ao jovem que lhe trouxera a nova: De onde és tu? E disse ele: Sou filho de um homem estrangeiro, amalequita.

1-14 - E Davi lhe disse: Como não temeste tu estender a mão para matares o ungido do SENHOR?

1-15 - Então, chamou Davi a um dos jovens e disse: Chega e lança-te sobre ele. E ele o feriu, e morreu.

1-16 - E disse-lhe Davi: O teu sangue seja sobre a tua cabeça, porque a tua própria boca testificou contra ti, dizendo: Eu matei o ungido do SENHOR.

1-17 - E lamentou Davi a Saul e a Jônatas, seu filho, com esta lamentação,

1-18 - dizendo ele que ensinassem aos filhos de Judá o uso do arco. Eis que está escrito no livro do Reto:

1-19 - Ah! Ornamento de Israel! Nos teus altos, fui ferido; como caíram os valentes!

1-20 - Não o noticieis em Gate, não o publiqueis nas ruas de Asquelom, para que não se alegrem as filhas dos filisteus, para que não saltem de contentamento as filhas dos incircuncisos.

1-21 - Vós, montes de Gilboa, nem orvalho, nem chuva caia sobre vós nem sobre vós, campos de ofertas alçadas, pois aí desprezivelmente foi arrojado o escudo dos valentes, o escudo de Saul, como se não fora ungido com óleo.

1-22 - Do sangue dos feridos, da gordura dos valentes, nunca se retirou para trás o arco de Jônatas, nem voltou vazia a espada de Saul.

1-23 - Saul e Jônatas, tão amados e queridos na sua vida, também na sua morte se não separaram! Eram mais ligeiros do que as águias, mais fortes do que os leões.

1-24 - Vós, filhas de Israel, chorai por Saul, que vos vestia de escarlata em delícias, que vos fazia trazer ornamentos de ouro sobre as vossas vestes.

1-25 - Como caíram os valentes no meio da peleja! Jônatas nos teus altos foi ferido!

1-26 - Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres.

1-27 - Como caíram os valentes, e pereceram as armas de guerra!

2-1 - E sucedeu, depois disso, que Davi consultou ao SENHOR, dizendo: Subirei a alguma das cidades de Judá? E disse-lhe o SENHOR: Sobe. E disse Davi: Para onde subirei? E disse: Para Hebrom.

2-2 - E subiu Davi para lá, e também as suas duas mulheres, Ainoã, a jezreelita, e Abigail, a mulher de Nabal, o carmelita.

2-3 - Fez também Davi subir os homens que estavam com ele, cada um com a sua família; e habitaram nas cidades de Hebrom.

2-4 - Então, vieram os homens de Judá e ungiram ali a Davi rei sobre a casa de Judá. E deram avisos a Davi, dizendo: Os homens de Jabes-Gileade são os que sepultaram Saul.

2-5 - Então, enviou Davi mensageiros aos homens de Jabes-Gileade e disse-lhes: Benditos sejais vós do SENHOR, que fizestes tal beneficência a vosso senhor, a Saul, e o sepultastes!

2-6 - Agora, pois, o SENHOR use convosco de beneficência e fidelidade; e também eu vos farei esse bem, porquanto fizestes isso.

2-7 - Esforcem-se, pois, agora as vossas mãos, e sede homens valentes, pois Saul, vosso senhor, é morto, mas também os da casa de Judá já me ungiram a mim rei sobre si.

2-8 - Porém Abner, filho de Ner, capitão do exército de Saul, tomou a Isbosete, filho de Saul, e o fez passar a Maanaim.

2-9 - E o constituiu rei sobre Gileade, e sobre os assuritas, e sobre Jezreel, e sobre Efraim, e sobre Benjamim, e sobre todo o Israel.

2-10 - Da idade de quarenta anos era Isbosete, filho de Saul, quando começou a reinar sobre Israel, e reinou dois anos; mas os da casa de Judá seguiam a Davi.

2-11 - E foi o número dos dias que Davi reinou em Hebrom, sobre a casa de Judá, sete anos e seis meses.

2-12 - Então, saiu Abner, filho de Ner, com os servos de Isbosete, filho de Saul, de Maanaim a Gibeão.

2-13 - Saíram também Joabe, filho de Zeruia, e os servos de Davi, e se encontraram uns com os outros perto do tanque de Gibeão, e pararam estes desta banda do tanque e os outros daquela banda do tanque.

2-14 - E disse Abner a Joabe: Deixa levantar os jovens, e joguem diante de nós. E disse Joabe: Levantem-se.

2-15 - Então, se levantaram e passaram, por conta, doze de Benjamim, da parte de Isbosete, filho de Saul, e doze dos servos de Davi.

2-16 - E cada um lançou mão da cabeça do outro, meteu-lhe a espada pelo lado, e caíram juntamente; de onde se chamou àquele lugar Helcate-Hazurim, que está junto a Gibeão.

2-17 - E seguiu-se, naquele dia, uma crua peleja; porém Abner e os homens de Israel foram feridos diante dos servos de Davi.

2-18 - E estavam ali os três filhos de Zeruia, Joabe, Abisai e Asael; e Asael era ligeiro de pés, como uma das cabras monteses que há no campo.

2-19 - E Asael seguiu após Abner e não declinou de detrás de Abner, nem para a direita nem para a esquerda.

2-20 - E Abner, olhando para trás, disse: És tu Asael? E disse ele: Eu sou.

2-21 - Então, lhe disse Abner: Desvia-te para a direita ou para a esquerda, e lança mão de um dos jovens, e toma os seus despojos. Porém Asael não quis desviar-se de detrás dele.

2-22 - Então, Abner tornou a dizer a Asael: Desvia-te de detrás de mim; por que hei de eu ferir-te e dar contigo em terra? E como levantaria eu o meu rosto diante de Joabe, teu irmão?

2-23 - Porém, não se querendo ele desviar, Abner o feriu com o conto da lança pela quinta costela, e a lança lhe saiu por detrás, e caiu ali e morreu naquele mesmo lugar; e sucedeu que todos os que chegavam ao lugar onde Asael caiu e morreu paravam.

2-24 - Porém Joabe e Abisai seguiram após Abner; e pôs-se o sol, chegando eles ao outeiro de Amá, que está diante de Giá, junto ao caminho do deserto de Gibeão.

2-25 - E os filhos de Benjamim se ajuntaram detrás de Abner, e fizeram um batalhão, e puseram-se no cume de um outeiro.

2-26 - Então, Abner gritou a Joabe e disse: Consumirá a espada para sempre? Não sabes tu que por fim haverá amargura? E até quando não hás de dizer ao povo que deixe de seguir a seus irmãos?

2-27 - E disse Joabe: Vive Deus, que, se não tivesses falado já desde pela manhã, o povo teria cessado cada um de seguir a seu irmão.

2-28 - Então, Joabe tocou a buzina, e todo o povo parou, e não perseguiram mais a Israel e tampouco pelejaram mais.

2-29 - E caminharam Abner e os seus homens toda aquela noite pela planície; e, passando o Jordão, caminharam por todo o Bitrom, e vieram a Maanaim.

2-30 - Também Joabe se tornou de seguir a Abner e ajuntou todo o povo, e dos servos de Davi faltaram dezenove homens além de Asael.

2-31 - Porém os servos de Davi feriram dentre os de Benjamim e dentre os homens de Abner a trezentos e sessenta homens, que ali ficaram mortos.

2-32 - E levantaram a Asael e sepultaram-no na sepultura de seu pai, que estava em Belém; e Joabe e seus homens caminharam toda aquela noite, e amanheceu-lhes o dia em Hebrom.

3-1 - E houve uma longa guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi; porém Davi se ia fortalecendo, mas os da casa de Saul se iam enfraquecendo.

3-2 - E a Davi nasceram filhos em Hebrom; foi o seu primogênito Amom, de Ainoã, a jezreelita;

3-3 - e seu segundo, Quileabe, de Abigail, mulher de Nabal, o carmelita; e o terceiro, Absalão, filho de Maaca, filha de Talmai, rei de Gesur;

3-4 - e o quarto, Adonias, filho de Hagite; e o quinto, Sefatias, filho de Abital;

3-5 - e o sexto, Itreão, de Eglá, também mulher de Davi; estes nasceram a Davi em Hebrom.

3-6 - E, havendo guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi, sucedeu que Abner se esforçava na casa de Saul.

3-7 - E tinha tido Saul uma concubina, cujo nome era Rispa, filha de Aiá; e disse Isbosete a Abner: Por que entraste à concubina de meu pai?

3-8 - Então, se irou muito Abner pelas palavras de Isbosete e disse: Sou eu cabeça de cão, que pertença a Judá? Ainda hoje faço beneficência à casa de Saul, teu pai, a seus irmãos e a seus amigos e te não entreguei nas mãos de Davi; e tu hoje buscas motivo para me argüires por causa da maldade de uma mulher.

3-9 - Assim faça Deus a Abner e outro tanto, que, como o SENHOR jurou a Davi, assim lhe hei de fazer,

3-10 - transferindo o reino da casa de Saul e levantando o trono de Davi sobre Israel e sobre Judá, desde Dã até Berseba.

3-11 - E nem ainda uma palavra podia responder a Abner, porque o temia.

3-12 - Então, ordenou Abner da sua parte mensageiros a Davi, dizendo: De quem é a terra? E disse: Comigo faze a tua aliança, e eis que a minha mão será contigo, para tornar a ti todo o Israel.

3-13 - E disse Davi: Bem, eu farei contigo aliança, porém uma coisa te peço, que é: não verás a minha face se primeiro me não trouxeres a Mical, filha de Saul, quando vieres ver a minha face.

3-14 - Também enviou Davi mensageiros a Isbosete, filho de Saul, dizendo: Dá-me minha mulher Mical, que eu desposei por cem prepúcios de filisteus.

3-15 - E enviou Isbosete e a tirou a seu marido, a Paltiel, filho de Laís.

3-16 - E ia com ela seu marido, caminhando, e chorando detrás dela, até Baurim. Então, lhe disse Abner: Vai-te, agora, volta. E ele voltou.

3-17 - E praticava Abner com os anciãos de Israel, dizendo: Muito tempo há que procuráveis que Davi reinasse sobre vós.

3-18 - Fazei-o, pois, agora, porque o SENHOR falou a Davi, dizendo: Pela mão de Davi, meu servo, livrarei o meu povo das mãos dos filisteus e das mãos de todos os seus inimigos.

3-19 - E falou também Abner o mesmo aos ouvidos de Benjamim; e foi também Abner dizer aos ouvidos de Davi, em Hebrom, tudo o que era bom aos olhos de Israel e aos olhos de toda a casa de Benjamim.

3-20 - E veio Abner a Davi, a Hebrom, e vinte homens com ele; e Davi fez um banquete a Abner e aos homens que com ele vinham.

3-21 - Então, disse Abner a Davi: Eu me levantarei, e irei, e ajuntarei ao rei, meu senhor, todo o Israel, para fazerem aliança contigo; e tu reinarás sobre tudo o que desejar a tua alma. Assim, despediu Davi a Abner, e foi-se ele em paz.

3-22 - E eis que os servos de Davi e Joabe vieram de uma sortida e traziam consigo grande despojo; e já Abner não estava com Davi em Hebrom, porque este o tinha despedido, e se tinha ido em paz.

3-23 - Chegando, pois, Joabe e todo o exército que vinha com ele, deram aviso a Joabe, dizendo: Abner, filho de Ner, veio ao rei; e o despediu, e foi-se em paz.

3-24 - Então, Joabe entrou ao rei e disse: Que fizeste? Eis que Abner veio ter contigo; por que, pois, o despediste de maneira que se fosse assim livremente?

3-25 - Bem conheces a Abner, filho de Ner, que te veio enganar, e saber a tua saída e a tua entrada, e entender tudo quanto fazes.

3-26 - E Joabe, retirando-se de Davi, enviou mensageiros atrás de Abner, e o fizeram voltar desde o poço de Sira, sem que Davi o soubesse.

3-27 - Tornando, pois, Abner a Hebrom, Joabe o tomou à parte, à entrada da porta, para lhe falar em segredo, e feriu-o ali pela quinta costela, e morreu por causa do sangue de Asael, seu irmão.

3-28 - O que Davi, depois, ouvindo, disse: Inocentes somos eu e o meu reino, para com o SENHOR, para sempre, do sangue de Abner, filho de Ner.

3-29 - Fique-se sobre a cabeça de Joabe e sobre toda a casa de seu pai, e nunca da casa de Joabe falte quem tenha fluxo, nem quem seja leproso, nem quem se atenha a bordão, nem quem caia à espada, nem quem necessite de pão.

3-30 - Joabe, pois, e Abisai, seu irmão, mataram a Abner, por ter morto a Asael, seu irmão, na peleja em Gibeão.

3-31 - Disse, pois, Davi a Joabe e a todo o povo que com ele estava: Rasgai as vossas vestes; e cingi-vos de panos de saco e ide pranteando diante de Abner. E o rei Davi ia seguindo o féretro.

3-32 - E, sepultando a Abner em Hebrom, o rei levantou a sua voz e chorou junto da sepultura de Abner; e chorou todo o povo.

3-33 - E o rei, pranteando a Abner, disse: Não morreu Abner como morre o vilão?

3-34 - As tuas mãos não estavam atadas, nem os teus pés carregados de grilhões de bronze, mas caíste como os que caem diante dos filhos da maldade! Então, todo o povo chorou muito mais por ele.

3-35 - Então, todo o povo veio fazer que Davi comesse pão, sendo ainda dia, porém Davi jurou, dizendo: Assim Deus me faça e outro tanto, se, antes que o sol se ponha, eu provar pão ou alguma coisa.

3-36 - O que todo o povo entendendo, pareceu bem aos seus olhos, assim como tudo quanto o rei fez pareceu bem aos olhos de todo o povo.

3-37 - E todo o povo e todo o Israel entenderam, naquele mesmo dia, que não procedera do rei que matassem a Abner, filho de Ner.

3-38 - Então, disse o rei aos seus servos: Não sabeis que, hoje, caiu em Israel um príncipe e um grande?

3-39 - Eu, hoje, estou fraco, ainda que seja ungido rei; estes homens, filhos de Zeruia, são mais duros do que eu; o SENHOR pagará ao malfeitor, conforme a sua maldade.

4-1 - Ouvindo, pois, o filho de Saul que Abner morrera em Hebrom, as mãos se lhe afrouxaram, e todo o Israel pasmou.

4-2 - E tinha o filho de Saul dois homens capitães de tropas; e era o nome de um Baaná, e o nome do outro, Recabe, filhos de Rimom, o beerotita, dos filhos de Benjamim, porque também Beerote se reputava de Benjamim.

4-3 - E tinham fugido os beerotitas para Gitaim e ali têm peregrinado até ao dia de hoje.

4-4 - E Jônatas, filho de Saul, tinha um filho aleijado de ambos os pés. Era da idade de cinco anos quando as novas de Saul e Jônatas vieram de Jezreel; e sua ama o tomou e fugiu; e sucedeu que, apressando-se ela a fugir, ele caiu e ficou coxo; o seu nome era Mefibosete.

4-5 - E foram os filhos de Rimom, o beerotita, Recabe e Baaná, e entraram em casa de Isbosete, no maior calor do dia, estando ele deitado a dormir, ao meio-dia.

4-6 - E ali entraram até o meio da casa, como que vindo tomar trigo, e o feriram na quinta costela; e Recabe e Baaná, seu irmão, escaparam.

4-7 - Porque entraram na sua casa, estando ele na cama deitado na sua recâmara, e o feriram, e o mataram, e lhe cortaram a cabeça; e, tomando a sua cabeça, andaram toda a noite caminhando pela planície.

4-8 - E trouxeram a cabeça de Isbosete a Davi, a Hebrom, e disseram ao rei: Eis aqui a cabeça de Isbosete, filho de Saul, teu inimigo, que te procurava a morte; assim, o SENHOR vingou hoje ao rei, meu senhor, de Saul e da sua semente.

4-9 - Porém Davi, respondendo a Recabe e a Baaná, seu irmão, filhos de Rimom, o beerotita, disse-lhes: Vive o SENHOR que remiu a minha alma de toda a angústia,

4-10 - pois se, àquele que me trouxe novas, dizendo: Eis que Saul morto é, parecendo-lhe, porém, aos seus olhos que era como quem trazia boas-novas, eu logo lancei mão dele e o matei em Ziclague, cuidando ele que eu, por isso, lhe desse alvíssaras,

4-11 - quanto mais a ímpios homens, que mataram um homem justo em sua casa, sobre a sua cama; agora, pois, não requereria eu o seu sangue de vossas mãos e não vos exterminaria da terra?

4-12 - E deu Davi ordem aos seus jovens que os matassem; e cortaram-lhes os pés e as mãos e os penduraram sobre o tanque de Hebrom; tomaram, porém, a cabeça de Isbosete e a sepultaram na sepultura de Abner, em Hebrom.

5-1 - Então, todas as tribos de Israel vieram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: Eis-nos aqui, teus ossos e tua carne somos.

5-2 - E também dantes, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu o que saías e entravas com Israel; e também o SENHOR te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e tu serás chefe sobre Israel.

5-3 - Assim, pois, todos os anciãos de Israel vieram ao rei, a Hebrom; e o rei Davi fez com eles aliança em Hebrom, perante o SENHOR; e ungiram Davi rei sobre Israel.

5-4 - Da idade de trinta anos era Davi quando começou a reinar; quarenta anos reinou.

5-5 - Em Hebrom reinou sobre Judá sete anos e seis meses; e em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.

5-6 - E partiu o rei com os seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam naquela terra e que falaram a Davi, dizendo: Não entrarás aqui, a menos que lances fora os cegos e os coxos; querendo dizer: Não entrará Davi aqui.

5-7 - Porém Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a Cidade de Davi.

5-8 - Porque Davi disse naquele dia: Qualquer que ferir os jebuseus e chegar ao canal, e aos coxos, e aos cegos, que a alma de Davi aborrece, será cabeça e capitão. Por isso, se diz: Nem cego nem coxo entrará nesta casa.

5-9 - Assim, habitou Davi na fortaleza e lhe chamou a Cidade de Davi; e Davi foi edificando em redor, desde Milo até dentro.

5-10 - E Davi se ia cada vez mais aumentando e crescendo, porque o SENHOR, Deus dos Exércitos, era com ele.

5-11 - E Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi, e madeira de cedro, e carpinteiros, e pedreiros, que edificaram a Davi uma casa.

5-12 - E entendeu Davi que o SENHOR o confirmava rei sobre Israel e que exaltara o seu reino por amor do seu povo.

5-13 - E tomou Davi mais concubinas e mulheres de Jerusalém, depois que viera de Hebrom; e nasceram a Davi mais filhos e filhas.

5-14 - E estes são os nomes dos que lhe nasceram em Jerusalém: Samua, e Sobabe, e Natã, e Salomão,

5-15 - e Ibar, e Elisua, e Nefegue, e Jafia,

5-16 - e Elisama, e Eliada, e Elifelete.

5-17 - Ouvindo, pois, os filisteus que haviam ungido Davi rei sobre Israel, todos os filisteus subiram em busca de Davi; o que ouvindo Davi, desceu à fortaleza.

5-18 - E os filisteus vieram e se estenderam pelo vale dos Refains.

5-19 - E Davi consultou o SENHOR, dizendo: Subirei contra os filisteus? Entregar-mos-ás nas minhas mãos? E disse o SENHOR a Davi: Sobe, porque certamente entregarei os filisteus nas tuas mãos.

5-20 - Então, veio Davi a Baal-Perazim, e feriu-os ali Davi, e disse: Rompeu o SENHOR a meus inimigos diante de mim, como quem rompe águas. Por isso, chamou o nome daquele lugar Baal-Perazim.

5-21 - E deixaram ali os seus ídolos; e Davi e os seus homens os tomaram.

5-22 - E os filisteus tornaram a subir e se estenderam pelo vale dos Refains.

5-23 - E Davi consultou o SENHOR, o qual disse: Não subirás; mas rodeia por detrás deles e virás a eles por defronte das amoreiras.

5-24 - E há de ser que, ouvindo tu um estrondo de marcha pelas copas das amoreiras, então, te apressarás; porque o SENHOR saiu, então, diante de ti, a ferir o arraial dos filisteus.

5-25 - E fez Davi assim como o SENHOR lhe tinha ordenado; e feriu os filisteus desde Geba até chegar a Gezer.

6-1 - E tornou Davi a ajuntar todos os escolhidos de Israel, em número de trinta mil.

6-2 - E levantou-se Davi e partiu com todo o povo que tinha consigo de Baalá de Judá, para levarem dali para cima a arca de Deus, sobre a qual se invoca o Nome, o nome do SENHOR dos Exércitos, que se assenta entre os querubins.

6-3 - E puseram a arca de Deus em um carro novo e a levaram da casa de Abinadabe, que está em Geba; e Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, guiavam o carro novo.

6-4 - E, levando-o da casa de Abinadabe, que está em Geba, com a arca de Deus, Aiô ia adiante da arca.

6-5 - E Davi e toda a casa de Israel alegravam-se perante o SENHOR, com toda sorte de instrumentos de madeira de faia, com harpas, e com saltérios, e com tamboris, e com pandeiros, e com címbalos.

6-6 - E, chegando à eira de Nacom, estendeu Uzá a mão à arca de Deus e segurou-a, porque os bois a deixavam pender.

6-7 - Então, a ira do SENHOR se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali por esta imprudência; e morreu ali junto à arca de Deus.

6-8 - E Davi se contristou, porque o SENHOR abrira rotura em Uzá; e chamou aquele lugar Perez-Uzá, até ao dia de hoje.

6-9 - E temeu Davi ao SENHOR naquele dia e disse: Como virá a mim a arca do SENHOR?

6-10 - E não quis Davi retirar para si a arca do SENHOR, para a Cidade de Davi; mas Davi a fez levar à casa de Obede-Edom, o geteu.

6-11 - E ficou a arca do SENHOR em casa de Obede-Edom, o geteu, três meses; e abençoou o SENHOR a Obede-Edom e a toda a sua casa.

6-12 - Então, avisaram a Davi, dizendo: Abençoou o SENHOR a casa de Obede-Edom e tudo quanto tem, por amor da arca de Deus; foi, pois, Davi e trouxe a arca de Deus para cima, da casa de Obede-Edom, à Cidade de Davi, com alegria.

6-13 - E sucedeu que, quando os que levavam a arca do SENHOR tinham dado seis passos, sacrificava ele bois e carneiros cevados.

6-14 - E Davi saltava com todas as suas forças diante do SENHOR; e estava Davi cingido de um éfode de linho.

6-15 - Assim subindo, levavam Davi e todo o Israel a arca do SENHOR, com júbilo e ao som das trombetas.

6-16 - E sucedeu que, entrando a arca do SENHOR na Cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela e, vendo o rei Davi, que ia bailando e saltando diante do SENHOR, o desprezou no seu coração.

6-17 - E, introduzindo a arca do SENHOR, a puseram no seu lugar, na tenda que Davi lhe armara; e ofereceu Davi holocaustos e ofertas pacíficas perante o SENHOR.

6-18 - E, acabando Davi de oferecer os holocaustos e ofertas pacíficas, abençoou o povo em nome do SENHOR dos Exércitos.

6-19 - E repartiu a todo o povo e a toda a multidão de Israel, desde os homens até às mulheres, a cada um, um bolo de pão, e um bom pedaço de carne, e um frasco de vinho; então, foi-se todo o povo, cada um para sua casa.

6-20 - E, voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical, filha de Saul, saiu a encontrar-se com Davi e disse: Quão honrado foi o rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem vergonha se descobre qualquer dos vadios.

6-21 - Disse, porém, Davi a Mical: Perante o SENHOR que me escolheu a mim antes do que a teu pai e a toda a sua casa, mandando-me que fosse chefe sobre o povo do SENHOR, sobre Israel, perante o SENHOR me tenho alegrado.

6-22 - E ainda mais do que isto me envilecerei e me humilharei aos meus olhos; e das servas, de quem falaste, delas serei honrado.

6-23 - E Mical, filha de Saul, não teve filhos, até ao dia da sua morte.

7-1 - E sucedeu que, estando o rei Davi em sua casa, e que o SENHOR lhe tinha dado descanso de todos os seus inimigos em redor,

7-2 - disse o rei ao profeta Natã: Ora, olha, eu moro em casa de cedros e a arca de Deus mora dentro de cortinas.

7-3 - E disse Natã ao rei: Vai e faze tudo quanto está no teu coração, porque o SENHOR é contigo.

7-4 - Porém sucedeu, naquela mesma noite, que a palavra do SENHOR veio a Natã, dizendo:

7-5 - Vai e dize a meu servo, a Davi: Assim diz o SENHOR: Edificar-me-ias tu casa para minha habitação?

7-6 - Porque em casa nenhuma habitei desde o dia em que fiz subir os filhos de Israel do Egito até ao dia de hoje; mas andei em tenda e em tabernáculo.

7-7 - E, em todo lugar em que andei com todos os filhos de Israel, falei porventura alguma palavra com qualquer das tribos de Israel, a quem mandei apascentar o meu povo de Israel, dizendo: Por que me não edificais uma casa de cedros?

7-8 - Agora, pois, assim dirás ao meu servo, a Davi: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eu te tomei da malhada, de detrás das ovelhas, para que fosses o chefe sobre o meu povo, sobre Israel.

7-9 - E fui contigo, por onde quer que foste, e destruí teus inimigos diante de ti, e fiz para ti um grande nome, como o nome dos grandes que há na terra.

7-10 - E preparei lugar para o meu povo, para Israel, e o plantarei, para que habite no seu lugar e não mais seja movido, e nunca mais os filhos da perversidade o aflijam como dantes,

7-11 - desde o dia em que mandei que houvesse juízes sobre o meu povo Israel. A ti, porém, te dei descanso de todos os teus inimigos; também o SENHOR te faz saber que o SENHOR te fará casa.

7-12 - Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino.

7-13 - Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre.

7-14 - Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens e com açoites de filhos de homens.

7-15 - Mas a minha benignidade se não apartará dele, como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.

7-16 - Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre.

7-17 - Conforme todas estas palavras e conforme toda esta visão, assim falou Natã a Davi.

7-18 - Então, entrou o rei Davi, e ficou perante o SENHOR, e disse: Quem sou eu, Senhor JEOVÁ, e qual é a minha casa, que me trouxeste até aqui?

7-19 - E ainda foi isso pouco aos teus olhos, Senhor JEOVÁ, senão que também falaste da casa de teu servo para tempos distantes; é isso o costume dos homens, ó Senhor JEOVÁ?

7-20 - E que mais te falará ainda Davi? Pois tu conheces bem a teu servo, ó Senhor JEOVÁ.

7-21 - Por causa da tua palavra e segundo o teu coração, fizeste toda esta grandeza, fazendo-a saber a teu servo.

7-22 - Portanto, grandioso és, ó Senhor JEOVÁ, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus, senão tu só, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos.

7-23 - E quem há como o teu povo, como Israel, gente única na terra, a quem Deus foi resgatar para seu povo? E a fazer-se um nome e a fazer-vos estas grandes e terríveis coisas, para a tua terra, diante do teu povo, que tu resgataste do Egito, desterrando as nações e a seus deuses?

7-24 - E confirmaste a teu povo Israel por teu povo para sempre e tu, SENHOR, te fizeste o seu Deus.

7-25 - Agora, pois, ó Senhor JEOVÁ, esta palavra que falaste acerca de teu servo e acerca da sua casa, confirma-a para sempre e faze como tens falado.

7-26 - E engrandeça-se o teu nome para sempre, para que se diga: O SENHOR dos Exércitos é Deus sobre Israel; e a casa de teu servo será confirmada diante de ti.

7-27 - Pois tu, SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, revelaste aos ouvidos de teu servo, dizendo: Edificar-te-ei casa. Portanto, o teu servo achou no seu coração o fazer-te esta oração.

7-28 - Agora, pois, Senhor JEOVÁ, tu és o mesmo Deus, e as tuas palavras são verdade, e tens falado a teu servo este bem.

7-29 - Sê, pois, agora servido de abençoar a casa de teu servo, para permanecer para sempre diante de ti, pois tu, ó Senhor JEOVÁ, o disseste; e com a tua bênção será sempre bendita a casa de teu servo.

8-1 - E sucedeu, depois disso, que Davi feriu os filisteus e os sujeitou; e Davi tomou a Metegue-Amá das mãos dos filisteus.

8-2 - Também feriu os moabitas, e os mediu com cordel, fazendo-os deitar por terra, e os mediu com dois cordéis para os matar, e com um cordel inteiro para os deixar em vida; ficaram, assim, os moabitas por servos de Davi, trazendo presentes.

8-3 - Feriu também Davi a Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá, indo ele a virar a sua mão para o rio Eufrates.

8-4 - E tomou-lhe Davi mil e seiscentos cavaleiros e vinte mil homens de pé; e Davi jarretou todos os cavalos dos carros e reservou deles cem carros.

8-5 - E vieram os siros de Damasco a socorrer a Hadadezer, rei de Zobá; porém Davi feriu dos siros vinte e dois mil homens.

8-6 - E Davi pôs guarnições na Síria de Damasco, e os siros ficaram por servos de Davi, trazendo presentes; e o SENHOR guardou a Davi por onde quer que ia.

8-7 - E Davi tomou os escudos de ouro que havia com os servos de Hadadezer e os trouxe a Jerusalém.

8-8 - Tomou mais o rei Davi uma quantidade mui grande de bronze de Betá e de Berotai, cidades de Hadadezer.

8-9 - Ouvindo, então, Toí, rei de Hamate, que Davi ferira a todo o exército de Hadadezer,

8-10 - mandou Toí seu filho Jorão ao rei Davi, para lhe perguntar como estava e para lhe dar os parabéns por haver pelejado contra Hadadezer e por o haver ferido ( porque Hadadezer de contínuo fazia guerra a Toí ); e na sua mão trazia vasos de prata, e vasos de ouro, e vasos de bronze,

8-11 - os quais também o rei Davi consagrou ao SENHOR, juntamente com a prata e ouro que já havia consagrado de todas as nações que sujeitara:

8-12 - da Síria, e de Moabe, e dos filhos de Amom, e dos filisteus, e de Amaleque, e dos despojos de Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá.

8-13 - Também Davi ganhou nome, voltando ele de ferir os siros no vale do Sal, a saber, a dezoito mil.

8-14 - E pôs guarnições em Edom, em todo o Edom pôs guarnições, e todos os edomitas ficaram por servos de Davi; e o SENHOR ajudava a Davi por onde quer que ia.

8-15 - Reinou, pois, Davi sobre todo o Israel; e Davi julgava e fazia justiça a todo o seu povo.

8-16 - E Joabe, filho de Zeruia, era sobre o exército; e Josafá, filho de Ailude, era cronista.

8-17 - E Zadoque, filho de Aitube, e Aimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes, e Seraías, escrivão.

8-18 - Também Benaia filho de Joiada, estava com os quereteus e peleteus; porém os filhos de Davi eram príncipes.

9-1 - E disse Davi: Há ainda alguém que ficasse da casa de Saul, para que lhe faça bem por amor de Jônatas?

9-2 - E havia um servo na casa de Saul cujo nome era Ziba; e o chamaram que viesse a Davi, e disse-lhe o rei: És tu Ziba? E ele disse: Servo teu.

9-3 - E disse o rei: Não há ainda algum da casa de Saul para que use com ele de beneficência de Deus? Então, disse Ziba ao rei: Ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés.

9-4 - E disse-lhe o rei: Onde está? E disse Ziba ao rei: Eis que está em casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar.

9-5 - Então, mandou o rei Davi e o tomou da casa de Maquir, filho de Amiel, de Lo-Debar.

9-6 - E, vindo Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, a Davi, se prostrou com o rosto por terra e se inclinou; e disse Davi: Mefibosete! E ele disse: Eis aqui teu servo.

9-7 - E disse-lhe Davi: Não temas, porque decerto usarei contigo de beneficência por amor de Jônatas, teu pai, e te restituirei todas as terras de Saul, teu pai, e tu de contínuo comerás pão à minha mesa.

9-8 - Então, se inclinou e disse: Quem é teu servo, para tu teres olhado para um cão morto tal como eu?

9-9 - Então, chamou Davi a Ziba, moço de Saul, e disse-lhe: Tudo o que pertencia a Saul e de toda a sua casa tenho dado ao filho de teu senhor.

9-10 - Trabalhar-lhe-ás, pois, a terra, tu, e teus filhos, e teus servos, e recolherás os frutos, para que o filho de teu senhor tenha pão que coma; e Mefibosete, filho de teu senhor, de contínuo comerá pão à minha mesa. E tinha Ziba quinze filhos e vinte servos.

9-11 - E disse Ziba ao rei: Conforme tudo quanto meu senhor, o rei, manda a seu servo, assim fará teu servo; porém Mefibosete comerá à minha mesa como um dos filhos do rei.

9-12 - E tinha Mefibosete um filho pequeno, cujo nome era Mica; e todos quantos moravam em casa de Ziba eram servos de Mefibosete.

9-13 - Morava, pois, Mefibosete em Jerusalém, porquanto de contínuo comia à mesa do rei; e era coxo de ambos os pés.

10-1 - E aconteceu, depois disso, que morreu o rei dos filhos de Amom, e seu filho Hanum reinou em seu lugar.

10-2 - Então, disse Davi: Usarei de beneficência com Hanum, filho de Naás, como seu pai usou de beneficência comigo. E enviou Davi a consolá-lo, pelo ministério de seus servos, acerca de seu pai; e vieram os servos de Davi à terra dos filhos de Amom.

10-3 - Então, disseram os príncipes dos filhos de Amom a seu senhor, Hanum: Porventura, honra Davi a teu pai aos teus olhos, porque te enviou consoladores? Porventura, não te enviou Davi os seus servos para reconhecerem esta cidade, e para espiá-la, e para transtorná-la?

10-4 - Então, tomou Hanum os servos de Davi, e lhes rapou metade da barba, e lhes cortou metade das vestes, até às nádegas, e os despediu.

10-5 - O que fazendo saber a Davi, este enviou a encontrá-los, porque estavam estes homens sobremaneira envergonhados; e disse o rei: Deixai-vos estar em Jericó, até que vos torne a crescer a barba; e então vinde.

10-6 - Vendo, pois, os filhos de Amom que se tinham feito abomináveis para Davi, enviaram os filhos de Amom e alugaram dos siros de Bete-Reobe e dos siros de Zobá vinte mil homens de pé, e do rei de Maaca, mil homens, e dos homens de Tobe, doze mil homens.

10-7 - O que ouvindo Davi, enviou contra eles a Joabe com todo o exército dos valentes.

10-8 - E saíram os filhos de Amom e ordenaram a batalha à entrada da porta, mas os siros de Zobá e Reobe e os homens de Tobe e Maaca estavam à parte no campo.

10-9 - Vendo, pois, Joabe que estava preparada contra ele a frente da batalha, por diante e por detrás, escolheu dentre todos os escolhidos de Israel e formou-os em linha contra os siros.

10-10 - E o resto do povo entregou na mão de Abisai, seu irmão, o qual o formou em linha contra os filhos de Amom.

10-11 - E disse: Se os siros forem mais fortes do que eu, tu me virás em socorro; e, se os filhos de Amom forem mais fortes que tu, irei a socorrer-te.

10-12 - Esforça-te, pois, e esforcemo-nos pelo nosso povo e pelas cidades de nosso Deus; e faça o SENHOR, então, o que bem parecer aos seus olhos.

10-13 - Então, se achegou Joabe e o povo que estava com ele à peleja contra os siros; e estes fugiram de diante dele.

10-14 - E, vendo os filhos de Amom que os siros fugiam, também eles fugiram de diante de Abisai e entraram na cidade; e voltou Joabe dos filhos de Amom e veio para Jerusalém.

10-15 - Vendo, pois, os siros que tinham sido feridos diante de Israel, tornaram a refazer-se.

10-16 - E enviou Hadadezer e fez sair os siros que estavam da outra banda do rio, e vieram a Helã; e Sobaque, chefe do exército de Hadadezer, marchava diante deles.

10-17 - Do que informado Davi, ajuntou a todo o Israel, e passou o Jordão, e veio a Helã; e os siros se puseram em ordem contra Davi e pelejaram contra ele.

10-18 - Porém os siros fugiram de diante de Israel, e Davi feriu dentre os siros aos homens de setecentos carros e quarenta mil homens de cavalo; também ao mesmo Sobaque, general do exército, feriu, e morreu ali.

10-19 - Vendo, pois, todos os reis, servos de Hadadezer, que haviam ficado mal diante de Israel, fizeram paz com Israel e o serviram; e temeram os siros de socorrer mais aos filhos de Amom.

11-1 - E aconteceu que, tendo decorrido um ano, no tempo em que os reis saem para a guerra, enviou Davi a Joabe, e a seus servos com ele, e a todo o Israel, para que destruíssem os filhos de Amom e cercassem Rabá; porém Davi ficou em Jerusalém.

11-2 - E aconteceu, à hora da tarde, que Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista.

11-3 - E enviou Davi e perguntou por aquela mulher; e disseram: Porventura, não é esta Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu?

11-4 - Então, enviou Davi mensageiros e a mandou trazer; e, entrando ela a ele, se deitou com ela ( e já ela se tinha purificado da sua imundície ); então, voltou ela para sua casa.

11-5 - E a mulher concebeu, e enviou, e fê-lo saber a Davi, e disse: Pejada estou.

11-6 - Então, enviou Davi a Joabe, dizendo: Envia-me Urias, o heteu. E Joabe enviou Urias a Davi.

11-7 - Vindo, pois, Urias a ele, perguntou Davi como ficava Joabe, e como ficava o povo, e como ia a guerra.

11-8 - Depois, disse Davi a Urias: Desce à tua casa e lava os teus pés. E, saindo Urias da casa real, logo saiu atrás dele iguaria do rei.

11-9 - Porém Urias se deitou à porta da casa real, com todos os servos do seu senhor, e não desceu à sua casa.

11-10 - E o fizeram saber a Davi, dizendo: Urias não desceu à sua casa. Então, disse Davi a Urias: Não vens tu de uma jornada? Por que não desceste à tua casa?

11-11 - E disse Urias a Davi: A arca, e Israel, e Judá ficam em tendas; e Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados no campo; e hei de eu entrar na minha casa, para comer e beber e para me deitar com minha mulher? Pela tua vida e pela vida da tua alma, não farei tal coisa.

11-12 - Então, disse Davi a Urias: Fica cá ainda hoje, e amanhã te despedirei. Urias, pois, ficou em Jerusalém aquele dia e o seguinte.

11-13 - E Davi o convidou, e comeu e bebeu diante dele, e o embebedou; e, à tarde, saiu a deitar-se na sua cama, como os servos de seu senhor; porém não desceu à sua casa.

11-14 - E sucedeu que, pela manhã, Davi escreveu uma carta a Joabe e mandou-lha por mão de Urias.

11-15 - Escreveu na carta, dizendo: Ponde Urias na frente da maior força da peleja; e retirai-vos de detrás dele, para que seja ferido e morra.

11-16 - Aconteceu, pois, que, tendo Joabe observado bem a cidade, pôs a Urias no lugar onde sabia que havia homens valentes.

11-17 - E, saindo os homens da cidade e pelejando com Joabe, caíram alguns do povo, dos servos de Davi; e morreu também Urias, o heteu.

11-18 - Então, enviou Joabe e fez saber a Davi todo o sucesso daquela peleja.

11-19 - E deu ordem ao mensageiro, dizendo: Acabando tu de contar ao rei todo o sucesso desta peleja,

11-20 - e, sucedendo que o rei se encolerize e te diga: Por que vos chegastes tão perto da cidade a pelejar? Não sabíeis vós que haviam de atirar do muro?

11-21 - Quem feriu a Abimeleque, filho de Jerubesete? Não lançou uma mulher sobre ele, do muro, um pedaço de uma mó corredora, de que morreu em Tebes? Por que vos chegastes ao muro? Então, dirás: Também morreu teu servo Urias, o heteu.

11-22 - E foi o mensageiro, e entrou, e fez saber a Davi tudo para que Joabe o enviara.

11-23 - E disse o mensageiro a Davi: Na verdade, que mais poderosos foram aqueles homens do que nós e saíram a nós ao campo; porém nós fomos contra eles, até à entrada da porta.

11-24 - Então, os flecheiros atiraram contra os teus servos desde o alto do muro, e morreram alguns dos servos do rei; e também morreu o teu servo Urias, o heteu.

11-25 - E disse Davi ao mensageiro: Assim dirás a Joabe: Não te pareça isso mal aos teus olhos; pois a espada tanto consome este como aquele; esforça a tua peleja contra a cidade e a derrota; esforça-o tu assim.

11-26 - Ouvindo, pois, a mulher de Urias que Urias, seu marido, era morto, lamentou a seu senhor.

11-27 - E, passado o luto, enviou Davi e a recolheu em sua casa; e lhe foi por mulher e ela lhe deu um filho. Porém essa coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do SENHOR.

12-1 - E o SENHOR enviou Natã a Davi; e, entrando ele a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre.

12-2 - O rico tinha muitíssimas ovelhas e vacas;

12-3 - mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma pequena cordeira que comprara e criara; e ela havia crescido com ele e com seus filhos igualmente; do seu bocado comia, e do seu copo bebia, e dormia em seu regaço, e a tinha como filha.

12-4 - E, vindo um viajante ao homem rico, deixou este de tomar das suas ovelhas e das suas vacas para guisar para o viajante que viera a ele; e tomou a cordeira do homem pobre e a preparou para o homem que viera a ele.

12-5 - Então, o furor de Davi se acendeu em grande maneira contra aquele homem, e disse a Natã: Vive o SENHOR, que digno de morte é o homem que fez isso.

12-6 - E pela cordeira tornará a dar o quadruplicado, porque fez tal coisa e porque não se compadeceu.

12-7 - Então, disse Natã a Davi: Tu és este homem. Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das mãos de Saul;

12-8 - e te dei a casa de teu senhor e as mulheres de teu senhor em teu seio e também te dei a casa de Israel e de Judá; e, se isto é pouco, mais te acrescentaria tais e tais coisas.

12-9 - Por que, pois, desprezaste a palavra do SENHOR, fazendo o mal diante de seus olhos? A Urias, o heteu, feriste à espada, e a sua mulher tomaste por tua mulher; e a ele mataste com a espada dos filhos de Amom.

12-10 - Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para que te seja por mulher.

12-11 - Assim diz o SENHOR: Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti, e tomarei tuas mulheres perante os teus olhos, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com tuas mulheres perante este sol.

12-12 - Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel e perante o sol.

12-13 - Então, disse Davi a Natã: Pequei contra o SENHOR. E disse Natã a Davi: Também o SENHOR traspassou o teu pecado; não morrerás.

12-14 - Todavia, porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos do SENHOR blasfemem, também o filho que te nasceu certamente morrerá.

12-15 - Então, Natã foi para sua casa. E o SENHOR feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi; e a criança adoeceu gravemente.

12-16 - E buscou Davi a Deus pela criança; e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra.

12-17 - Então os anciãos da sua casa se levantaram e foram a ele, para o levantar da terra; porém ele não quis, e não comeu pão com eles.

12-18 - E sucedeu que, ao sétimo dia, morreu a criança; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança era morta, porque diziam: Eis que, sendo a criança ainda viva, lhe falávamos, porém não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança é morta? Porque mais mal lhe faria.

12-19 - Viu, porém, Davi que seus servos falavam baixo e entendeu Davi que a criança era morta, pelo que disse Davi a seus servos: É morta a criança? E eles disseram: É morta.

12-20 - Então, Davi se levantou da terra, e se lavou, e se ungiu, e mudou de vestes, e entrou na Casa do SENHOR, e adorou; então, veio a sua casa e pediu pão; e lhe puseram pão, e comeu.

12-21 - E disseram-lhe seus servos: Que é isso que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém, depois que morreu a criança, te levantaste e comeste pão.

12-22 - E disse ele: Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se o SENHOR se compadecerá de mim, e viva a criança?

12-23 - Porém, agora que é morta, por que jejuaria eu agora? Poderei eu fazê-la mais voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim.

12-24 - Então, consolou Davi a Bate-Seba, sua mulher, e entrou a ela, e se deitou com ela; e teve ela um filho, e chamou o seu nome Salomão; e o SENHOR o amou.

12-25 - E o enviou pela mão do profeta Natã, e este chamou o seu nome Jedidias, por amor do SENHOR.

12-26 - Entretanto, pelejou Joabe contra Rabá, dos filhos de Amom, e tomou a cidade real.

12-27 - Então, mandou Joabe mensageiros a Davi e disse: Pelejei contra Rabá e também tomei a cidade das águas.

12-28 - Ajunta, pois, agora o resto do povo, e cerca a cidade, e toma-a, para que, tomando eu a cidade, não se aclame sobre ela o meu nome.

12-29 - Então, ajuntou Davi a todo o povo, e marchou para Rabá, e pelejou contra ela, e a tomou.

12-30 - E tirou a coroa da cabeça do seu rei, cujo peso era de um talento de ouro, e havia nela pedras preciosas, e foi posta sobre a cabeça de Davi; e da cidade levou mui grande despojo.

12-31 - E, trazendo o povo que havia nela, o pôs às serras, e às talhadeiras de ferro, e aos machados de ferro, e os fez passar por forno de tijolos; e assim fez a todas as cidades dos filhos de Amom. E voltou Davi e todo o povo para Jerusalém.

13-1 - E aconteceu, depois disso, que, tendo Absalão, filho de Davi, uma irmã formosa, cujo nome era Tamar, Amnom, filho de Davi, amou-a.

13-2 - E angustiou-se Amnom, até adoecer, por Tamar, sua irmã, porque era virgem; e parecia, aos olhos de Amnom, dificultoso fazer-lhe coisa alguma.

13-3 - Tinha, porém, Amnom um amigo, cujo nome era Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi. E era Jonadabe homem mui sagaz.

13-4 - E ele lhe disse: Por que tu de manhã em manhã tanto emagreces, sendo filho do rei? Não mo farás saber a mim? Então, lhe disse Amnom: Amo a Tamar, irmã de Absalão, meu irmão.

13-5 - E Jonadabe lhe disse: Deita-te na tua cama, e finge-te doente; e, quando teu pai te vier visitar, dize-lhe: Peço-te que minha irmã Tamar venha, e me dê de comer pão, e prepare a comida diante dos meus olhos, para que eu a veja e coma da sua mão.

13-6 - Deitou-se, pois, Amnom e fingiu-se doente; e, vindo o rei visitá-lo, disse Amnom ao rei: Peço-te que minha irmã Tamar venha e prepare dois bolos diante dos meus olhos, para que eu coma de sua mão.

13-7 - Mandou, então, Davi a casa, a Tamar, dizendo: Vai a casa de Amnom, teu irmão, e faze-lhe alguma comida.

13-8 - E foi Tamar a casa de Amnom, seu irmão ( ele, porém, estava deitado ), e tomou massa, e a amassou, e fez bolos diante dos seus olhos, e cozeu os bolos.

13-9 - E tomou a assadeira e os tirou diante dele; porém ele recusou comer. E disse Amnom: Fazei retirar a todos da minha presença. E todos se retiraram dele.

13-10 - Então, disse Amnom a Tamar: Traze a comida à câmara e comerei da tua mão. E tomou Tamar os bolos que fizera e os trouxe a Amnom, seu irmão, à câmara.

13-11 - E, chegando-lhos, para que comesse, pegou dela e disse-lhe: Vem, deita-te comigo, irmã minha.

13-12 - Porém ela lhe disse: Não, irmão meu, não me forces, porque não se faz assim em Israel; não faças tal loucura.

13-13 - Porque, aonde iria eu com a minha vergonha? E tu serias como um dos loucos de Israel. Agora, pois, peço-te que fales ao rei, porque não me negará a ti.

13-14 - Porém ele não quis dar ouvidos à sua voz; antes, sendo mais forte do que ela, a forçou e se deitou com ela.

13-15 - Depois, Amnom a aborreceu com grandíssimo aborrecimento, porque maior era o aborrecimento com que a aborrecia do que o amor com que a amara. E disse-lhe Amnom: Levanta-te e vai-te.

13-16 - Então, ela lhe disse: Não há razão de me despedires assim; maior seria este mal do que o outro que já me tens feito. Porém não lhe quis dar ouvidos.

13-17 - E chamou a seu moço que o servia e disse: Deita a esta fora e fecha a porta após ela.

13-18 - E trazia ela uma roupa de muitas cores ( porque assim se vestiam as filhas virgens dos reis, com capas ), e seu criado a deitou fora e fechou a porta após ela.

13-19 - Então, Tamar tomou cinza sobre a sua cabeça, e a roupa de muitas cores que trazia rasgou, e pôs as mãos sobre a cabeça, e foi-se andando e clamando.

13-20 - E Absalão, seu irmão, lhe disse: Esteve Amnom, teu irmão, contigo? Ora, pois, irmã minha, cala-te; é teu irmão. Não se angustie o teu coração por isso. Assim ficou Tamar e esteve solitária em casa de Absalão, seu irmão.

13-21 - E, ouvindo o rei Davi todas essas coisas, muito se acendeu em ira.

13-22 - Porém Absalão não falou com Amnom, nem mal nem bem; porque Absalão aborrecia a Amnom, por ter forçado a Tamar, sua irmã.

13-23 - E aconteceu que, passados dois anos inteiros, Absalão tinha tosquiadores em Baal-Hazor, que está junto a Efraim, e convidou Absalão a todos os filhos do rei.

13-24 - E veio Absalão ao rei e disse: Eis que teu servo tem tosquiadores; peço que o rei e os seus servos venham com o teu servo.

13-25 - O rei, porém, disse a Absalão: Não, filho meu, não vamos todos juntos, para não te sermos pesados. E instou com ele; porém ele não quis ir, mas o abençoou.

13-26 - Então, disse Absalão: Quando não, deixa ir conosco Amnom, meu irmão. Porém o rei lhe disse: Para que iria contigo?

13-27 - E, instando Absalão com ele, deixou ir com ele a Amnom e a todos os filhos do rei.

13-28 - E Absalão deu ordem aos seus moços, dizendo: Tomai sentido; quando o coração de Amnom estiver alegre do vinho, e eu vos disser: Feri a Amnom! Então, o matareis; não temais; porventura, não sou eu quem vo-lo ordenou? Esforçai-vos e sede valentes.

13-29 - E os moços de Absalão fizeram a Amnom como Absalão lho havia ordenado. Então, todos os filhos do rei se levantaram, e montaram cada um no seu mulo, e fugiram.

13-30 - E aconteceu que, estando eles ainda no caminho, veio a nova a Davi, de que se dizia: Absalão feriu todos os filhos do rei, e nenhum deles ficou.

13-31 - Então, o rei se levantou, e rasgou as suas vestes, e se lançou por terra; da mesma maneira todos os seus servos estavam com vestes rotas.

13-32 - Mas Jonadabe, filho de Siméia, irmão de Davi, respondeu e disse: Não diga o meu senhor que mataram a todos os jovens filhos do rei, porque só morreu Amnom; porque assim o tinha resolvido fazer Absalão, desde o dia em que ele forçou a Tamar, sua irmã.

13-33 - Não se lhe meta, pois, agora no coração do rei, meu senhor, tal coisa, dizendo: Morreram todos os filhos do rei; porque só morreu Amnom.

13-34 - E Absalão fugiu. E o jovem que estava de guarda levantou os seus olhos e olhou; e eis que muito povo vinha pelo caminho por detrás dele, pela banda do monte.

13-35 - Então, disse Jonadabe ao rei: Eis aqui vêm os filhos do rei; conforme a palavra de teu servo, assim sucedeu.

13-36 - E aconteceu que, quando acabou de falar, os filhos do rei vieram, e levantaram a sua voz, e choraram; e também o rei e todos os seus servos choraram com mui grande choro.

13-37 - Assim, Absalão fugiu e se foi a Talmai, filho de Amiúde, rei de Gesur. E Davi trouxe dó por seu filho todos aqueles dias.

13-38 - Assim, Absalão fugiu e foi para Gesur; esteve ali três anos.

13-39 - Então, tinha o rei Davi saudades de Absalão, porque já se tinha consolado acerca de Amnom, que era morto.

14-1 - Conhecendo, pois, Joabe, filho de Zeruia, que o coração do rei era inclinado para Absalão,

14-2 - enviou Joabe a Tecoa, e tomou de lá uma mulher sábia, e disse-lhe: Ora, finge que estás de luto; veste vestes de luto, e não te unjas com óleo, e sejas como uma mulher que há já muitos dias está de luto por algum morto.

14-3 - E entra ao rei e fala-lhe conforme esta palavra. E Joabe lhe pôs as palavras na boca.

14-4 - E a mulher tecoíta falou ao rei, e, deitando-se com o rosto em terra, se prostrou, e disse: Salva-me, ó rei.

14-5 - E disse-lhe o rei: Que tens? E disse ela: Na verdade que sou uma mulher viúva, e morreu meu marido.

14-6 - Tinha, pois, a tua serva dois filhos, e ambos estes brigaram no campo, e não houve quem os apartasse; assim, um feriu ao outro e o matou.

14-7 - E eis que toda a linhagem se levantou contra a tua serva, e disseram: Dá-nos aquele que feriu a seu irmão para que o matemos, por causa da vida de seu irmão, a quem matou, e para que destruamos também ao herdeiro. Assim, apagarão a brasa que me ficou, de sorte que não deixam a meu marido nome, nem resto sobre a terra.

14-8 - E disse o rei à mulher: Vai para tua casa, e eu mandarei ordem acerca de ti.

14-9 - E disse a mulher tecoíta ao rei: A injustiça, ó rei, meu senhor, venha sobre mim e sobre a casa de meu pai; e o rei e o seu trono fiquem inculpáveis.

14-10 - E disse o rei: Quem falar contra ti, traze-mo a mim; e nunca mais te tocará.

14-11 - E disse ela: Ora, lembre-se o rei do SENHOR, teu Deus, para que os vingadores do sangue se não multipliquem a deitar-nos a perder e não destruam meu filho. Então, disse ele: Vive o SENHOR, que não há de cair no chão nem um dos cabelos de teu filho.

14-12 - Então, disse a mulher: Peço-te que a tua serva fale uma palavra ao rei, meu senhor. E disse ele: Fala.

14-13 - E disse a mulher: Por que, pois, pensaste tu uma tal coisa contra o povo de Deus? Porque, falando o rei tal palavra, fica como culpado; visto que o rei não torna a trazer o seu desterrado.

14-14 - Porque certamente morreremos e seremos como águas derramadas na terra, que não se ajuntam mais. Deus, pois, lhe não tirará a vida, mas ideará pensamentos, para que se não desterre dele o seu desterrado.

14-15 - E, se eu agora vim falar esta palavra ao rei, meu senhor, é porque o povo me atemorizou; dizia, pois, a tua serva: Falarei, pois, ao rei; porventura, fará o rei segundo a palavra da sua serva.

14-16 - Porque o rei ouvirá, para livrar a sua serva da mão do homem que intenta destruir juntamente a mim e a meu filho da herança de Deus.

14-17 - Dizia mais a tua serva: Seja agora a palavra do rei, meu senhor, para descanso; porque, como um anjo de Deus, assim é o rei, meu senhor, para ouvir o bem e o mal; e o SENHOR, teu Deus, será contigo.

14-18 - Então, respondeu o rei e disse à mulher: Peço-te que não me encubras o que eu te perguntar. E disse a mulher: Ora, fale o rei, meu senhor.

14-19 - E disse o rei: Não é verdade que a mão de Joabe anda contigo em tudo isso? E respondeu a mulher e disse: Vive a tua alma, ó rei, meu senhor, que ninguém se poderá desviar, nem para a direita nem para a esquerda, de tudo quanto o rei, meu senhor, tem dito; porque Joabe, teu servo, é quem me deu ordem e foi ele que pôs na boca da tua serva todas estas palavras.

14-20 - Para que eu virasse a forma deste negócio, Joabe, teu servo, fez isso; porém sábio é meu senhor, conforme a sabedoria de um anjo de Deus, para entender tudo o que há na terra.

14-21 - Então, o rei disse a Joabe: Eis que fiz isto. Vai, pois, e torna a trazer o jovem Absalão.

14-22 - Então, Joabe se prostrou sobre o seu rosto em terra, e se inclinou, e o agradeceu ao rei, e disse: Hoje, conheceu o teu servo que achei graça aos teus olhos, ó rei, meu senhor, porque o rei fez segundo a palavra do teu servo.

14-23 - Levantou-se, pois, Joabe, e foi a Gesur, e trouxe Absalão a Jerusalém.

14-24 - E disse o rei: Torne para a sua casa e não veja a minha face. Tornou, pois, Absalão para a sua casa e não viu a face do rei.

14-25 - Não havia, porém, em todo o Israel homem tão belo e tão aprazível como Absalão; desde a planta do pé até à cabeça, não havia nele defeito algum.

14-26 - E, quando tosquiava a sua cabeça ( e sucedia que no fim de cada ano a tosquiava, porquanto muito lhe pesava, e por isso a tosquiava ), pesava o cabelo da sua cabeça duzentos siclos, segundo o peso real.

14-27 - Também nasceram a Absalão três filhos e uma filha, cujo nome era Tamar; e esta era mulher formosa à vista.

14-28 - Assim, ficou Absalão dois anos inteiros em Jerusalém e não viu a face do rei.

14-29 - Mandou, pois, Absalão chamar a Joabe, para o enviar ao rei; porém não quis vir a ele; e enviou ainda segunda vez, e, contudo, não quis vir.

14-30 - Então, disse aos seus servos: Vedes ali o pedaço de campo de Joabe pegado ao meu, e tem cevada nele; ide e ponde-lhe fogo. E os servos de Absalão puseram fogo ao pedaço de campo.

14-31 - Então, Joabe se levantou, e veio a Absalão, em casa, e disse-lhe: Por que puseram os teus servos fogo ao pedaço de campo que é meu?

14-32 - E disse Absalão a Joabe: Eis que enviei a ti, dizendo: Vem cá, para que te envie ao rei, a dizer-lhe: Para que vim de Gesur? Melhor me fora estar ainda lá. Agora, pois, veja eu a face do rei; e, se há ainda em mim alguma culpa, que me mate.

14-33 - Então, entrou Joabe ao rei e assim lho disse. Então, chamou a Absalão, e ele entrou ao rei e se inclinou sobre o seu rosto em terra diante do rei; e o rei beijou a Absalão.

15-1 - E aconteceu, depois disso, que Absalão fez aparelhar carros, e cavalos, e cinqüenta homens que corressem adiante dele.

15-2 - Também Absalão se levantou pela manhã e parava a uma banda do caminho da porta. E sucedia que a todo o homem que tinha alguma demanda para vir ao rei a juízo, o chamava Absalão a si e lhe dizia: De que cidade és tu? E dizendo ele: De uma das tribos de Israel é teu servo;

15-3 - então, Absalão lhe dizia: Olha, os teus negócios são bons e retos, porém não tens quem te ouça da parte do rei.

15-4 - Dizia mais Absalão: Ah! Quem me dera ser juiz na terra, para que viesse a mim todo o homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça!

15-5 - Sucedia também que, quando alguém se chegava a ele para se inclinar diante dele, ele estendia a sua mão, e pegava dele, e o beijava.

15-6 - E desta maneira fazia Absalão a todo o Israel que vinha ao rei para juízo; assim, furtava Absalão o coração dos homens de Israel.

15-7 - E aconteceu, pois, ao cabo de quarenta anos, que Absalão disse ao rei: Deixa-me ir pagar em Hebrom o meu voto que votei ao SENHOR.

15-8 - Porque morando eu em Gesur, na Síria, votou o teu servo um voto, dizendo: Se o SENHOR outra vez me fizer tornar a Jerusalém, servirei ao SENHOR.

15-9 - Então, lhe disse o rei: Vai em paz. Levantou-se, pois, e foi para Hebrom.

15-10 - E enviou Absalão espias por todas as tribos de Israel, dizendo: Quando ouvirdes o som das trombetas, direis: Absalão reina em Hebrom.

15-11 - E de Jerusalém foram com Absalão duzentos homens convidados, porém iam na sua simplicidade, porque nada sabiam daquele negócio.

15-12 - Também Absalão mandou vir Aitofel, o gilonita, do conselho de Davi, à sua cidade de Gilo, estando ele sacrificando os seus sacrifícios; e a conjuração se fortificava, e vinha o povo e se aumentava com Absalão.

15-13 - Então, veio um mensageiro a Davi, dizendo: O coração de cada um em Israel segue a Absalão.

15-14 - Disse, pois, Davi a todos os seus servos que estavam com ele em Jerusalém: Levantai-vos, e fujamos, porque não poderíamos escapar diante de Absalão. Dai-vos pressa a caminhar, para que porventura não se apresse ele, e nos alcance, e lance sobre nós algum mal, e fira a cidade a fio de espada.

15-15 - Então, os servos do rei disseram ao rei: Eis aqui os teus servos, para tudo quanto determinar o rei, nosso senhor.

15-16 - E saiu o rei, com toda a sua casa, a pé; deixou, porém, o rei dez mulheres concubinas, para guardarem a casa.

15-17 - Tendo, pois, saído o rei com todo o povo a pé, pararam num lugar distante.

15-18 - E todos os seus servos iam a seu lado, como também todos os quereteus e todos os peleteus; e todos os geteus, seiscentos homens que vieram de Gate a pé, caminhavam diante do rei.

15-19 - Disse, pois, o rei a Itai, o geteu: Por que irias tu também conosco? Volta, e fica-te com o rei, porque estranho és, e também te tornarás a teu lugar.

15-20 - Ontem, vieste, e te levaria eu hoje conosco a caminhar? Pois força me é ir aonde quer que puder ir; volta, pois, e torna a levar teus irmãos contigo, com beneficência e fidelidade.

15-21 - Respondeu, porém, Itai ao rei e disse: Vive o SENHOR, e vive o rei, meu senhor, que no lugar em que estiver o rei, meu senhor, seja para morte seja para vida, aí certamente estará também o teu servidor.

15-22 - Então, Davi disse a Itai: Vem, pois, e passa adiante. Assim, passou Itai, o geteu, e todos os seus homens, e todas as crianças que havia com ele.

15-23 - E toda a terra chorava a grandes vozes, passando todo o povo; também o rei passou o ribeiro de Cedrom, e passou todo o povo na direção do caminho do deserto.

15-24 - Eis que também Zadoque ali estava, e com ele todos os levitas que levavam a arca do concerto de Deus; e puseram ali a arca de Deus; e subiu Abiatar, até que todo o povo acabou de sair da cidade.

15-25 - Então disse o rei a Zadoque: Torna a levar a arca de Deus à cidade; se achar eu graça aos olhos do SENHOR, ele me tornará a trazer para lá e me deixará ver a ela e a sua habitação.

15-26 - Se, porém, disser assim: Não tenho prazer em ti; eis-me aqui, faça de mim como parecer bem aos seus olhos.

15-27 - Disse mais o rei a Zadoque, o sacerdote: Não és tu, porventura, o vidente? Torna, pois, em paz para a cidade, e convosco também vossos dois filhos, Aimaás, teu filho, e Jônatas, filho de Abiatar.

15-28 - Olhai que me demorarei nas campinas do deserto até que tenha novas vossas.

15-29 - Zadoque, pois, e Abiatar tornaram a levar para Jerusalém a arca de Deus; e ficaram ali.

15-30 - E subiu Davi pela subida das Oliveiras, subindo e chorando, e com a cabeça coberta; e caminhava com os pés descalços; e todo o povo que ia com ele cobria cada um a sua cabeça, e subiam chorando sem cessar.

15-31 - Então, fizeram saber a Davi, dizendo: Também Aitofel está entre os que se conjuraram com Absalão. Pelo que disse Davi: Ó SENHOR, transtorna o conselho de Aitofel.

15-32 - E aconteceu que, chegando Davi ao cume, para adorar ali a Deus, eis que Husai, o arquita, veio encontrar-se com ele, com a veste rasgada e terra sobre a cabeça.

15-33 - E disse-lhe Davi: Se passares comigo, ser-me-ás pesado.

15-34 - Porém, se voltares para a cidade e disseres a Absalão: Eu serei, ó rei, teu servo, como fui dantes servo de teu pai, assim agora serei teu servo, dissipar-me-ás, então, o conselho de Aitofel.

15-35 - E não estão ali contigo Zadoque e Abiatar, sacerdotes? E será que todas as coisas que ouvires da casa do rei farás saber a Zadoque e a Abiatar, sacerdotes.

15-36 - Eis que estão também ali com eles seus dois filhos, Aimaás, filho de Zadoque, e Jônatas, filho de Abiatar; pela mão deles aviso me mandareis de todas as coisas que ouvirdes.

15-37 - Husai, pois, amigo de Davi, veio para a cidade; e Absalão entrou em Jerusalém.

16-1 - E, passando Davi um pouco mais adiante do cume, eis que Ziba, o moço de Mefibosete, veio encontrar-se com ele, com um par de jumentos albardados, e sobre eles duzentos pães, com cem cachos de passas, e cem de frutas de verão, e um odre de vinho.

16-2 - E disse o rei a Ziba: Que pretendes com isto? E disse Ziba: Os jumentos são para a casa do rei, para se montarem neles; e o pão e as frutas de verão, para os moços comerem; e o vinho, para beberem os cansados no deserto.

16-3 - Então, disse o rei: Onde está, pois, o filho de teu senhor? E disse Ziba ao rei: Eis que ficou em Jerusalém; porque disse: Hoje, me restaurará a casa de Israel o reino de meu pai.

16-4 - Então, disse o rei a Ziba: Eis que teu é tudo quanto tem Mefibosete. E disse Ziba: Eu me inclino e que eu ache graça aos teus olhos, ó rei, meu senhor.

16-5 - E, chegando o rei Davi a Baurim, eis que dali saiu um homem da linhagem da casa de Saul, cujo nome era Simei, filho de Gera; e, saindo, ia amaldiçoando.

16-6 - E apedrejava com pedras a Davi e a todos os servos do rei Davi, ainda que todo o povo e todos os valentes iam à sua direita e à sua esquerda.

16-7 - E, amaldiçoando-o Simei, assim dizia: Sai, sai, homem de sangue e homem de Belial!

16-8 - O SENHOR te deu agora a paga de todo o sangue da casa Saul, em cujo lugar tens reinado; já deu o SENHOR o reino na mão de Absalão, teu filho; e eis-te agora na tua desgraça, porque és um homem de sangue.

16-9 - Então, disse Abisai, filho de Zeruia, ao rei: Por que amaldiçoaria este cão morto ao rei, meu senhor? Deixa-me passar, e lhe tirarei a cabeça.

16-10 - Disse, porém, o rei: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia? Ora, deixai-o amaldiçoar, pois, se o SENHOR lhe disse: Amaldiçoa a Davi, quem, pois, diria: Por que assim fizeste?

16-11 - Disse mais Davi a Abisai e a todos os seus servos: Eis que meu filho, que descendeu de mim, procura a minha morte, quanto mais ainda este filho de Benjamim? Deixai-o; que amaldiçoe, porque o SENHOR lho disse.

16-12 - Porventura, o SENHOR olhará para a minha miséria e o SENHOR me pagará com bem a sua maldição deste dia.

16-13 - Prosseguiam, pois, o seu caminho, Davi e os seus homens; e também Simei ia ao longo do monte, defronte dele, caminhando e amaldiçoando, e atirava pedras contra ele, e levantava poeira.

16-14 - E o rei e todo o povo que ia com ele chegaram cansados e refrescaram-se ali.

16-15 - Absalão, pois, e todo o povo, os homens de Israel, vieram a Jerusalém; e Aitofel, com ele.

16-16 - E sucedeu que, chegando Husai, o arquita, amigo de Davi, a Absalão, disse Husai a Absalão: Viva o rei, viva o rei!

16-17 - Porém Absalão disse a Husai: É esta a tua beneficência para com o teu amigo? Por que não foste com o teu amigo?

16-18 - E disse Husai a Absalão: Não, senão daquele que eleger o SENHOR, e todo este povo, e todos os homens de Israel, dele serei e com ele ficarei.

16-19 - E, demais disso, a quem serviria eu? Porventura, não seria diante de seu filho? Como servi diante de teu pai, assim serei diante de ti.

16-20 - Então, disse Absalão a Aitofel: Dai conselho entre vós sobre o que devemos fazer.

16-21 - E disse Aitofel a Absalão: Entra às concubinas de teu pai, que deixou para guardarem a casa; e, assim, todo o Israel ouvirá que te fizeste aborrecível para com teu pai, e se fortalecerão as mãos de todos os que estão contigo.

16-22 - Estenderam, pois, para Absalão uma tenda no terrado, e entrou Absalão às concubinas de seu pai perante os olhos de todo o Israel.

16-23 - E era o conselho de Aitofel, que aconselhava naqueles dias, como se a palavra de Deus se consultara: tal era todo o conselho de Aitofel, assim para com Davi como para com Absalão.

17-1 - Disse mais Aitofel a Absalão: Deixa-me escolher doze mil homens, e me levantarei e seguirei após Davi esta noite.

17-2 - E irei sobre ele, pois está cansado e fraco das mãos; e o espantarei, e fugirá todo o povo que está com ele; e, então, ferirei o rei só.

17-3 - E farei tornar a ti todo o povo, pois o homem a quem tu buscas é como se tornassem todos; assim, todo o povo estará em paz.

17-4 - E esta palavra pareceu boa aos olhos de Absalão, e aos olhos de todos os anciãos de Israel.

17-5 - Disse, porém, Absalão: Chamai agora também a Husai, o arquita, e ouçamos também o que ele dirá.

17-6 - E, chegando Husai a Absalão, lhe falou Absalão, dizendo: Desta maneira falou Aitofel: Faremos conforme à sua palavra? Se não, fala tu.

17-7 - Então, disse Husai a Absalão: O conselho que Aitofel esta vez aconselhou não é bom.

17-8 - Disse mais Husai: Bem conheces tu a teu pai e a seus homens, que são valorosos e que estão com o espírito amargurado, como a ursa no campo, roubada dos cachorros; também teu pai é homem de guerra, e não passará a noite com o povo.

17-9 - Eis que agora estará escondido nalguma cova, ou em qualquer outro lugar; e será que, caindo no princípio alguns dentre eles, cada um que ouvir então dirá: Houve derrota no povo que segue Absalão.

17-10 - Então, até o homem valente, cujo coração é como o coração de leão, sem dúvida desmaiará; porque todo o Israel sabe que teu pai é valoroso, e homens valentes, os que estão com ele.

17-11 - Eu, porém, aconselho que, com toda a pressa, se ajunte a ti todo o Israel, desde Dã até Berseba, em multidão como a areia do mar, e que tu em pessoa vás à peleja.

17-12 - Então, iremos a ele, em qualquer lugar que se achar, e facilmente viremos sobre ele, como o orvalho cai sobre a terra; e não ficará dele e de todos os homens que estão com ele nem ainda um só.

17-13 - E, se ele se retirar para alguma cidade, todo o Israel trará cordas àquela cidade: e arrastá-la-emos até ao ribeiro, até que não se ache ali nem uma só pedrinha.

17-14 - Então, disse Absalão e todos os homens de Israel: Melhor é o conselho de Husai, o arquita, do que o conselho de Aitofel ( porém assim o SENHOR o ordenara, para aniquilar o bom conselho de Aitofel, para que o SENHOR trouxesse o mal sobre Absalão ).

17-15 - E disse Husai a Zadoque e a Abiatar, sacerdotes: Assim e assim aconselhou Aitofel a Absalão e aos anciãos de Israel; porém assim e assim aconselhei eu.

17-16 - Agora, pois, enviai apressadamente, e avisai a Davi, dizendo: Não passes esta noite nas campinas do deserto, mas passa depressa à outra banda, para que o rei e todo o povo que com ele está não seja devorado.

17-17 - Estavam, pois, Jônatas e Aimaás junto à fonte de Rogel, e foi uma criada, e lho disse, e eles foram, e disseram ao rei Davi, porque não podiam ser vistos entrar na cidade.

17-18 - Mas viu-os, todavia, um moço, e avisou a Absalão; porém ambos logo partiram apressadamente, e entraram em casa de um homem, em Baurim, o qual tinha um poço no seu pátio, e para ali desceram.

17-19 - E tomou a mulher a tampa, e a estendeu sobre a boca do poço, e espalhou grão descascado sobre ela; assim, nada se soube.

17-20 - Chegando, pois, os servos de Absalão à mulher, àquela casa, disseram: Onde estão Aimaás e Jônatas? E a mulher lhes disse: Já passaram o vau das águas. E, havendo-os buscado, e não os achando, voltaram para Jerusalém.

17-21 - E sucedeu que, depois que partiram, saíram do poço, e foram, e anunciaram a Davi; e disseram a Davi: Levantai-vos, e passai depressa as águas, porque assim aconselhou contra vós Aitofel.

17-22 - Então, Davi e todo o povo que com ele estava se levantou, e passaram o Jordão: e já pela luz da manhã nem ainda faltava um só que não passasse o Jordão.

17-23 - Vendo, pois, Aitofel que se não tinha seguido o seu conselho, albardou o jumento e levantou-se, e foi para sua casa e para a sua cidade, e pôs em ordem a sua casa, e se enforcou: e morreu, e foi sepultado na sepultura de seu pai.

17-24 - E Davi veio a Maanaim; e Absalão passou o Jordão, ele e todo o homem de Israel com ele.

17-25 - E Absalão constituiu a Amasa em lugar de Joabe sobre o arraial: e era Amasa filho de um homem cujo nome era Itra, o israelita, o qual entrara a Abigail, filha de Naás, irmã de Zeruia, mãe de Joabe.

17-26 - Israel, pois, e Absalão acamparam na terra de Gileade.

17-27 - E sucedeu que, chegando Davi a Maanaim, Sobi, filho de Naás, de Rabá, dos filhos de Amom, e Maquir, filho de Amiel, de Lo-Debar, e Barzilai, o gileadita, de Rogelim,

17-28 - tomaram camas, e bacias, e vasilhas de barro, e trigo, e cevada, e farinha, e grão torrado, e favas, e lentilhas, também torradas,

17-29 - e mel, e manteiga, e ovelhas, e queijos de vacas, e os trouxeram a Davi e ao povo que com ele estava, para comerem, porque disseram: Este povo no deserto está faminto, e cansado, e sedento.

18-1 - E Davi contou o povo que tinha consigo e pôs sobre eles capitães de cem.

18-2 - E Davi enviou o povo, um terço debaixo da mão de Joabe, e outro terço debaixo da mão de Abisai, filho de Zeruia e irmão de Joabe, e outro terço debaixo da mão de Itai, o geteu; e disse o rei ao povo: Eu também juntamente sairei convosco.

18-3 - Porém o povo disse: Não sairás, porque, se formos obrigados a fugir, não porão o coração em nós; e, ainda que metade de nós morra, não porão o coração em nós, porque ainda, tais como nós somos, ajuntarás dez mil; melhor será, pois, que da cidade nos sirvas de socorro.

18-4 - Então, Davi lhes disse: O que bem parecer aos vossos olhos, isso farei. E o rei se pôs da banda da porta, e todo o povo saiu em centenas e em milhares.

18-5 - E o rei deu ordem a Joabe, e a Abisai, e a Itai, dizendo: Brandamente tratai por amor de mim ao jovem, a Absalão. E todo o povo ouviu quando o rei deu ordem a todos os capitães acerca de Absalão.

18-6 - Saiu, pois, o povo ao campo, a encontrar-se com Israel, e deu-se a batalha no bosque de Efraim.

18-7 - E ali foi ferido o povo de Israel, diante dos servos de Davi; e, naquele mesmo dia, houve ali uma grande derrota de vinte mil.

18-8 - Porque ali se estendeu a batalha sobre a face de toda aquela terra; e foram mais os do povo que consumiu o bosque do que os que a espada consumiu, naquele dia.

18-9 - E Absalão se encontrou com os servos de Davi; e Absalão ia montado num mulo; e, entrando o mulo debaixo da espessura dos ramos de um grande carvalho, pegou-se-lhe a cabeça no carvalho, e ficou pendurado entre o céu e a terra; e o mulo, que estava debaixo dele, passou adiante.

18-10 - O que vendo um homem, o fez saber a Joabe e disse: Eis que vi Absalão pendurado num carvalho.

18-11 - Então, disse Joabe ao homem que lho fizera saber: Pois que o viste, por que o não feriste logo ali em terra? E forçoso seria eu dar-lhe dez moedas de prata e um cinto.

18-12 - Disse, porém, aquele homem a Joabe: Ainda que eu pudesse pesar nas minhas mãos mil moedas de prata, não estenderia a minha mão contra o filho do rei, pois bem ouvimos que o rei te deu ordem a ti, e a Abisai, e a Itai, dizendo: Guardai-vos, cada um, de tocar no jovem, em Absalão.

18-13 - Ainda que proferisse mentira com risco da minha vida, nem por isso coisa nenhuma se esconderia ao rei; e tu mesmo te oporias.

18-14 - Então, disse Joabe: Não me demorarei assim contigo aqui. E tomou três dardos e traspassou com eles o coração de Absalão, estando ele ainda vivo no meio do carvalho.

18-15 - E o cercaram dez jovens que levavam as armas de Joabe. E feriram a Absalão e o mataram.

18-16 - Então, tocou Joabe a buzina, e voltou o povo de perseguir a Israel, porque Joabe deteve o povo.

18-17 - E tomaram Absalão, e o lançaram no bosque, numa grande cova, e levantaram sobre ele um mui grande montão de pedras; e todo o Israel fugiu, cada um para a sua tenda.

18-18 - Ora, Absalão, quando ainda vivia, tinha tomado e levantado para si uma coluna, que está no vale do Rei, porque dizia: Filho nenhum tenho para conservar a memória do meu nome. E chamou aquela coluna pelo seu próprio nome; pelo que até ao dia de hoje se chama o Pilar de Absalão.

18-19 - Então, disse Aimaás, filho de Zadoque: Deixa-me correr, e anunciarei ao rei que já o SENHOR o vingou da mão de seus inimigos.

18-20 - Mas Joabe lhe disse: Tu não serás hoje o portador das novas, porém outro dia as levarás; mas hoje não darás a nova, porque é morto o filho do rei.

18-21 - E disse Joabe a um cuxita: Vai tu e dize ao rei o que viste. E o cuxita se inclinou a Joabe e correu.

18-22 - E prosseguiu Aimaás, filho de Zadoque, e disse a Joabe: Seja o que for, deixa-me também correr após o cuxita. E disse Joabe: Para que agora correrias tu, meu filho, pois não tens mensagem conveniente?

18-23 - Seja o que for, disse Aimaás, correrei. E Joabe lhe disse: Corre. E Aimaás correu pelo caminho da planície e passou ao cuxita.

18-24 - E Davi estava assentado entre as duas portas; e a sentinela subiu ao terraço da porta junto ao muro, e levantou os olhos, e olhou, e eis que um homem corria só.

18-25 - Gritou, pois, a sentinela e o disse ao rei: Se vem só, há novas em sua boca. E vinha andando e chegando.

18-26 - Então, viu a sentinela outro homem que corria, e a sentinela gritou ao porteiro, e disse: Eis que lá vem outro homem correndo só. Então, disse o rei: Também este traz novas.

18-27 - Disse mais a sentinela: Vejo o correr do primeiro, que parece ser o correr de Aimaás, filho de Zadoque. Então, disse o rei: Este é homem de bem e virá com boas novas.

18-28 - Gritou, pois, Aimaás e disse ao rei: Paz. E inclinou-se ao rei com o rosto em terra e disse: Bendito seja o SENHOR, que entregou os homens que levantaram a mão contra o rei, meu senhor.

18-29 - Então, disse o rei: Vai bem com o jovem, com Absalão? E disse Aimaás: Vi um grande alvoroço, quando Joabe mandou o servo do rei, e a mim, teu servo; porém não sei o que era.

18-30 - E disse o rei: Vira-te e põe-te aqui. E virou-se e parou.

18-31 - E eis que vinha o cuxita e disse: Anunciar-se-á ao rei, meu senhor, que hoje o SENHOR te vingou da mão de todos os que se levantaram contra ti.

18-32 - Então, disse o rei ao cuxita: Vai bem com o jovem, com Absalão? E disse o cuxita: Sejam como aquele jovem os inimigos do rei, meu senhor, e todos os que se levantaram contra ti para mal.

18-33 - Então, o rei se perturbou, e subiu à sala que estava por cima da porta, e chorou; e, andando, dizia assim: Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!

19-1 - E disseram a Joabe: Eis que o rei anda chorando e lastima-se por Absalão.

19-2 - Então, a vitória se tornou, naquele mesmo dia, em tristeza para todo o povo; porque, naquele mesmo dia, o povo ouvira dizer: Mui triste está o rei por causa de seu filho.

19-3 - E, naquele mesmo dia, o povo entrou às furtadelas na cidade, como o povo de vergonha se escoa quando foge da peleja.

19-4 - Estava, pois, o rei com o rosto coberto; e o rei gritava a alta voz: Meu filho Absalão, Absalão, meu filho, meu filho!

19-5 - Então, entrou Joabe ao rei, em casa, e disse: Hoje, envergonhaste a face de todos os teus servos, que livraram hoje a tua vida, e a vida de teus filhos, e de tuas filhas, e a vida de tuas mulheres, e a vida de tuas concubinas,

19-6 - amando tu aos que te aborrecem e aborrecendo aos que te amam; porque, hoje, dás a entender que nada valem para contigo capitães e servos; porque entendo, hoje, que, se Absalão vivesse, e todos nós, hoje, fôssemos mortos, então, bem te parecera aos teus olhos.

19-7 - Levanta-te, pois, agora; sai e fala conforme o coração de teus servos; porque, pelo SENHOR, te juro que, se não saíres, nem um só homem ficará contigo esta noite; e maior mal te será isso do que todo o mal que tem vindo sobre ti desde a tua mocidade até agora.

19-8 - Então, o rei se levantou e se assentou à porta, e fizeram saber a todo o povo, dizendo: Eis que o rei está assentado à porta. Então, todo o povo veio apresentar-se diante do rei; porém Israel fugiu cada um para as suas tendas.

19-9 - E todo o povo, em todas as tribos de Israel, andava altercando entre si, dizendo: O rei nos tirou das mãos de nossos inimigos, e ele nos livrou das mãos dos filisteus; e agora fugiu da terra por causa de Absalão.

19-10 - E Absalão, a quem ungimos sobre nós, já morreu na peleja; agora, pois, por que vos calais e não fazeis voltar o rei?

19-11 - Então, o rei Davi enviou a Zadoque e a Abiatar, sacerdotes, dizendo: Falai aos anciãos de Judá, dizendo: Por que seríeis vós os últimos em tornar a trazer o rei para a sua casa? ( Porque as palavras de todo o Israel chegaram ao rei, até à sua casa. )

19-12 - Vós sois meus irmãos, meus ossos e minha carne sois vós; por que, pois, seríeis os últimos em tornar a trazer o rei?

19-13 - E a Amasa direis: Porventura, não és tu meu osso e minha carne? Assim me faça Deus, e outro tanto, se não fores chefe do arraial diante de mim para sempre, em lugar de Joabe.

19-14 - Assim, moveu o coração de todos os homens de Judá, como o de um só homem; e enviaram ao rei, dizendo: Volta tu com todos os teus servos.

19-15 - Então, o rei voltou e chegou até ao Jordão; e Judá veio a Gilgal, para ir encontrar-se com o rei, à outra banda do Jordão.

19-16 - E apressou-se Simei, filho de Gera, filho de Benjamim, que era de Baurim; e desceu com os homens de Judá a encontrar-se com o rei Davi.

19-17 - E com ele mil varões de Benjamim, como também Ziba, servo da casa de Saul, e seus quinze filhos, e seus vinte servos com ele; e prontamente passaram o Jordão adiante do rei.

19-18 - E, passando a barca, para fazer passar a casa do rei e para fazer o que bem parecesse aos seus olhos, então, Simei, filho de Gera, se prostrou diante do rei, passando ele o Jordão.

19-19 - E disse ao rei: Não me impute meu senhor a minha culpa, e não te lembres do que tão perversamente fez teu servo, no dia em que o rei, meu senhor, saiu de Jerusalém; não conserve o rei isso no coração.

19-20 - Porque teu servo deveras confessa que eu pequei; porém eis que eu sou o primeiro que de toda a casa de José desci a encontrar-me com o rei, meu senhor.

19-21 - Então, respondeu Abisai, filho de Zeruia, e disse: Não morreria, pois, Simei por isso, havendo amaldiçoado ao ungido do SENHOR?

19-22 - Porém Davi disse: Que tenho eu convosco, filhos de Zeruia, para que hoje me sejais adversários? Morreria alguém hoje em Israel? Por que, porventura, não sei que hoje fui feito rei sobre Israel?

19-23 - E disse o rei a Simei: Não morrerás. E o rei lho jurou.

19-24 - Também Mefibosete, filho de Saul, desceu a encontrar-se com o rei e não tinha lavado os pés, nem tinha feito a barba, nem tinha lavado as suas vestes desde o dia em que o rei tinha saído até ao dia em que voltou em paz.

19-25 - E sucedeu que, vindo ele a Jerusalém a encontrar-se com o rei, disse-lhe o rei: Por que não foste comigo, Mefibosete?

19-26 - E disse ele: Ó rei, meu senhor, o meu servo me enganou; porque o teu servo dizia: Albardarei um jumento, e nele montarei, e irei com o rei; pois o teu servo é coxo.

19-27 - De mais disso, falsamente acusou o teu servo diante do rei, meu senhor; porém o rei, meu senhor, é como um anjo de Deus; faze, pois, o que parecer bem aos teus olhos.

19-28 - Porque toda a casa de meu pai não era senão de homens dignos de morte diante do rei meu senhor; e, contudo, puseste a teu servo entre os que comem à tua mesa; e que mais direito tenho eu de clamar ao rei?

19-29 - E disse-lhe o rei: Por que ainda falas mais de teus negócios? Já disse eu: Tu e Ziba, reparti as terras.

19-30 - E disse Mefibosete ao rei: Tome ele também tudo, pois já veio o rei, meu senhor, em paz à sua casa.

19-31 - Também Barzilai, o gileadita, desceu de Rogelim e passou com o rei o Jordão, para o acompanhar à outra banda do Jordão.

19-32 - E era Barzilai mui velho, da idade de oitenta anos; e ele tinha sustentado o rei, quando tinha a sua morada em Maanaim, porque era homem mui grande.

19-33 - E disse o rei a Barzilai: Passa tu comigo, e sustentar-te-ei comigo em Jerusalém.

19-34 - Porém Barzilai disse ao rei: Quantos serão os dias dos anos da minha vida, para que suba com o rei a Jerusalém?

19-35 - Da idade de oitenta anos sou eu hoje; poderia eu discernir entre bom e mau? Poderia o teu servo ter gosto no que comer e beber? Poderia eu mais ouvir a voz dos cantores e cantoras? E por que será o teu servo ainda pesado ao rei, meu senhor?

19-36 - Com o rei passará teu servo ainda um pouco mais além do Jordão; e por que me recompensará o rei com tal recompensa?

19-37 - Deixa voltar o teu servo, e morrerei na minha cidade junto à sepultura de meu pai e de minha mãe; mas eis aí está o teu servo Quimã; que passe com o rei, meu senhor, e faze-lhe o que bem parecer aos teus olhos.

19-38 - Então, disse o rei: Quimã passará comigo, e eu lhe farei como bem parecer aos teus olhos, e tudo quanto me pedires te farei.

19-39 - Havendo, pois, todo o povo passado o Jordão, e, passando também o rei, beijou o rei a Barzilai e o abençoou; e ele voltou para o seu lugar.

19-40 - E dali passou o rei a Gilgal, e Quimã passou com ele; e todo o povo de Judá conduziu o rei, como também a metade do povo de Israel.

19-41 - E eis que todos os homens de Israel vieram ao rei e disseram ao rei: Por que te furtaram nossos irmãos, os homens de Judá, e conduziram o rei e a sua casa por sobre o Jordão e todos os homens de Davi com eles?

19-42 - Então, responderam todos os homens de Judá aos homens de Israel: Porquanto o rei é nosso parente; e por que vos irais por isso? Porventura, comemos à custa do rei ou nos apresentou algum presente?

19-43 - E responderam os homens de Israel aos homens de Judá e disseram: Dez partes temos no rei e até em Davi mais temos nós do que vós; porque, pois, fizestes pouca conta de nós, para que a nossa palavra não fosse a primeira, para tornar a trazer o nosso rei? Porém a palavra dos homens de Judá foi mais forte do que a palavra dos homens de Israel.

20-1 - Então, se achou ali, por acaso, um homem de Belial, cujo nome era Seba, filho de Bicri, homem de Benjamim, o qual tocou a buzina e disse: Não temos parte em Davi, nem herança no filho de Jessé; cada um às suas tendas, ó Israel.

20-2 - Então, todos os homens de Israel deixaram de seguir Davi e seguiram Seba, filho de Bicri; porém os homens de Judá se uniram ao seu rei, desde o Jordão até Jerusalém.

20-3 - Vindo, pois, Davi para sua casa, a Jerusalém, tomou o rei as dez mulheres, suas concubinas, que deixara para guardarem a casa, e as pôs numa casa em guarda, e as sustentava; porém não entrou a elas; e estiveram encerradas até ao dia da sua morte, vivendo como viúvas.

20-4 - Disse mais o rei a Amasa: Convoca-me os homens de Judá para o terceiro dia e tu, então, apresenta-te aqui.

20-5 - E foi Amasa para convocar a Judá; porém demorou-se além do tempo que lhe tinha designado.

20-6 - Então, disse Davi a Abisai: Mais mal agora nos fará Seba, o filho de Bicri, do que Absalão; pelo que toma tu os servos de teu senhor e persegue-o, para que, porventura, não ache para si cidades fortes e escape dos nossos olhos.

20-7 - Então, saíram atrás dele os homens de Joabe, e os quereteus, e os peleteus, e todos os valentes; estes saíram de Jerusalém para irem atrás de Seba, filho de Bicri.

20-8 - Chegando eles, pois, à pedra grande que está junto a Gibeão, Amasa veio perante eles; e estava Joabe cingido da sua roupa que vestiu e sobre ela um cinto com a espada, em seus lombos, na sua bainha; e, adiantando-se ele, lhe caiu.

20-9 - E disse Joabe a Amasa: Vai contigo bem, meu irmão? E Joabe, com a mão direita, pegou da barba de Amasa, para o beijar.

20-10 - E Amasa não se resguardou da espada que estava na mão de Joabe, de sorte que este o feriu com ela na quinta costela e lhe derramou por terra as entranhas; e não o feriu segunda vez, e morreu; então, Joabe e Abisai, seu irmão, foram atrás de Seba, filho de Bicri.

20-11 - Mas um dentre os moços de Joabe parou junto a ele e disse: Quem há que bem queira a Joabe e quem seja por Davi, siga a Joabe.

20-12 - E Amasa estava envolto no seu sangue no meio do caminho; e, vendo aquele homem que todo o povo parava, desviou a Amasa do caminho para o campo e lançou sobre ele um manto; porque via que todo aquele que chegava a ele parava.

20-13 - E, como estava apartado do caminho, todos os homens seguiram a Joabe, para perseguirem a Seba, filho de Bicri.

20-14 - E passou por todas as tribos de Israel até Abel-Bete-Maaca e a todos os beritas; e ajuntaram-se todos e também o seguiram.

20-15 - E vieram, e o cercaram em Abel-Bete-Maaca, e levantaram uma tranqueira contra a cidade, assim que já estava em frente do antemuro; e todo o povo que estava com Joabe batia no muro, para o derribar.

20-16 - Então, uma mulher sábia gritou de dentro da cidade: Ouvi, ouvi, peço-vos que digais a Joabe: Chega-te cá, para que eu te fale.

20-17 - Chegou-se a ela, e disse a mulher: Tu és Joabe? E disse ele: Eu sou. E ela lhe disse: Ouve as palavras de tua serva. E disse ele: Ouço.

20-18 - Então, falou ela, dizendo: Antigamente, costumava-se falar, dizendo: Certamente, pediram conselho a Abel; e assim o cumpriam.

20-19 - Eu sou uma das pacíficas e das fiéis em Israel; e tu procuras matar uma cidade que é mãe em Israel; por que, pois, devorarias a herança do SENHOR?

20-20 - Então, respondeu Joabe e disse: Longe, longe de mim que eu tal faça, que eu devore ou arruíne!

20-21 - A coisa não é assim; porém um só homem do monte de Efraim, cujo nome é Seba, filho de Bicri, levantou a mão contra o rei, contra Davi; entregai-me só este, e retirar-me-ei da cidade. Então, disse a mulher a Joabe: Eis que te será lançada a sua cabeça pelo muro.

20-22 - E a mulher, na sua sabedoria, entrou a todo o povo, e cortaram a cabeça de Seba, filho de Bicri, e a lançaram a Joabe; então, tocou este a buzina, e se retiraram da cidade, cada um para as suas tendas. E Joabe voltou a Jerusalém, ao rei.

20-23 - E Joabe estava sobre todo o exército de Israel; e Benaia, filho de Joiada, sobre os quereteus e sobre os peleteus;

20-24 - e Adorão, sobre os tributos; e Josafá, filho de Ailude, era o chanceler;

20-25 - e Seva, o escrivão; e Zadoque e Abiatar, os sacerdotes;

20-26 - e também Ira, o jairita, era o oficial-mor de Davi.

21-1 - E houve, em dias de Davi, uma fome de três anos, de ano em ano; e Davi consultou ao SENHOR, e o SENHOR lhe disse: É por causa de Saul e da sua casa sanguinária, porque matou os gibeonitas.

21-2 - Então, chamou o rei os gibeonitas e lhes falou ( ora os gibeonitas não eram dos filhos de Israel, mas do resto dos amorreus, e os filhos de Israel lhes tinham jurado, porém Saul procurou feri-los no seu zelo pelos filhos de Israel e de Judá ).

21-3 - Disse, pois, Davi aos gibeonitas: Que quereis que eu vos faça? E que satisfação vos darei, para que abençoeis a herança do SENHOR?

21-4 - Então, os gibeonitas lhe disseram: Não é por prata nem ouro que temos questão com Saul e com sua casa; nem tampouco pretendemos matar pessoa alguma em Israel. E disse ele: Que é, pois, que quereis que vos faça?

21-5 - E disseram ao rei: Quanto ao homem que nos destruiu e procurou que fôssemos assolados, sem que pudéssemos subsistir em termo algum de Israel,

21-6 - de seus filhos se nos dêem sete homens, para que os enforquemos ao SENHOR, em Gibeá de Saul, o eleito do SENHOR. E disse o rei: Eu os darei.

21-7 - Porém o rei poupou a Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, por causa do juramento do SENHOR, que entre eles houvera, entre Davi e Jônatas, filho de Saul.

21-8 - Porém tomou o rei os dois filhos de Rispa, filha de Aiá, que tinha tido de Saul, a saber, a Armoni e a Mefibosete, como também os cinco filhos da irmã de Mical, filha de Saul, que tivera de Adriel, filho de Barzilai, meolatita.

21-9 - E os entregou na mão dos gibeonitas, os quais os enforcaram no monte, perante o SENHOR; e caíram estes sete juntamente; e foram mortos nos dias da sega, nos dias primeiros, no princípio da sega das cevadas.

21-10 - Então, Rispa, filha de Aiá, tomou um pano de cilício, e estendeu-lho sobre uma penha, desde o princípio da sega, até que destilou a água sobre eles do céu, e não deixou que as aves do céu se aproximassem deles de dia, nem os animais do campo de noite.

21-11 - E foi dito a Davi o que fizera Rispa, filha de Aiá, concubina de Saul.

21-12 - Então, foi Davi e tomou os ossos de Saul, e os ossos de Jônatas, seu filho, dos moradores de Jabes-Gileade, os quais os furtaram da rua de Bete-Seã, onde os filisteus os tinham pendurado, quando os filisteus feriram a Saul em Gilboa.

21-13 - E fez subir dali os ossos de Saul e os ossos de Jônatas, seu filho; e ajuntaram também os ossos dos enforcados.

21-14 - Enterraram os ossos de Saul e de Jônatas, seu filho, na terra de Benjamim, em Zela, na sepultura de Quis, seu pai, e fizeram tudo o que o rei ordenara; e, depois disso, Deus se aplacou para com a terra.

21-15 - Tiveram mais os filisteus uma peleja contra Israel; e desceu Davi, e com ele os seus servos, e tanto pelejaram contra os filisteus, que Davi se cansou.

21-16 - E Isbi-Benobe, que era dos filhos dos gigantes, e o peso de cuja lança tinha trezentos siclos de cobre, e que cingia uma espada nova, este intentou ferir Davi.

21-17 - Porém Abisai, filho de Zeruia, o socorreu, e feriu o filisteu, e o matou; então, os homens de Davi lhe juraram, dizendo: Nunca mais sairás conosco à peleja, para que não apagues a lâmpada de Israel.

21-18 - E aconteceu, depois disso, que houve em Gobe ainda outra peleja contra os filisteus; então, Sibecai, o husatita, feriu a Safe, que era dos filhos dos gigantes.

21-19 - Houve mais outra peleja contra os filisteus em Gobe; e Elanã, filho de Jaaré-Oregim, o belemita, feriu Golias, o geteu, de cuja lança era a haste como eixo de tecelão.

21-20 - Houve ainda também outra peleja em Gate, onde estava um homem de alta estatura, que tinha em cada mão seis dedos e em cada pé outros seis, vinte e quatro por todos, e também este nascera dos gigantes.

21-21 - E injuriava a Israel; porém Jônatas, filho de Siméia, irmão de Davi, o feriu.

21-22 - Estes quatro nasceram dos gigantes em Gate; e caíram pela mão de Davi e pela mão de seus servos.

22-1 - E falou Davi ao SENHOR as palavras deste cântico, no dia em que o SENHOR o livrou das mãos de todos os seus inimigos e das mãos de Saul.

22-2 - Disse, pois: O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador.

22-3 - Deus é o meu rochedo, e nele confiarei; o meu escudo, e a força de minha salvação, e o meu alto retiro, e o meu refúgio. Ó meu Salvador, de violência me salvaste.

22-4 - O SENHOR, digno de louvor, invoquei e de meus inimigos fiquei livre.

22-5 - Porque me cercaram as ondas de morte, as torrentes de Belial me assombraram.

22-6 - Cordas do inferno me cingiram, e encontraram-me laços de morte.

22-7 - Estando em angústia, invoquei ao SENHOR e a meu Deus clamei; do seu templo ouviu ele a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.

22-8 - Então, se abalou e tremeu a terra, os fundamentos dos céus se moveram e abalaram, porque ele se irou.

22-9 - Subiu a fumaça de seus narizes, e, da sua boca, um fogo devorador; carvões se incenderam dele.

22-10 - E abaixou os céus, e desceu, e uma escuridão havia debaixo de seus pés.

22-11 - E subiu um querubim, e voou; e foi visto sobre as asas do vento.

22-12 - E por tendas pôs as trevas ao redor de si, ajuntamento de águas, nuvens dos céus.

22-13 - Pelo resplendor da sua presença, brasas de fogo se acendem.

22-14 - Trovejou desde os céus o SENHOR e o Altíssimo fez soar a sua voz.

22-15 - E disparou flechas e os dissipou; raios, e os perturbou.

22-16 - E apareceram as profundezas do mar, os fundamentos do mundo se descobriram, pela repreensão do SENHOR, pelo sopro do vento dos seus narizes.

22-17 - Desde o alto enviou e me tomou; tirou-me das muitas águas.

22-18 - Livrou-me do meu possante inimigo e daqueles que me tinham ódio, porque eram mais fortes do que eu.

22-19 - Encontraram-me no dia da minha calamidade; porém o SENHOR se fez o meu esteio.

22-20 - E tirou-me para o largo e arrebatou-me dali, porque tinha prazer em mim.

22-21 - Recompensou-me o SENHOR conforme a minha justiça, conforme a pureza de minhas mãos me retribuiu.

22-22 - Porque guardei os caminhos do SENHOR e não me apartei impiamente do meu Deus.

22-23 - Porque todos os seus juízes estavam diante de mim, e de seus estatutos me não desviei.

22-24 - Porém fui sincero perante ele e guardei-me da minha iniqüidade.

22-25 - E me retribuiu o SENHOR conforme a minha justiça, conforme a minha pureza diante dos seus olhos.

22-26 - Com o benigno te mostras benigno, com o varão sincero te mostras sincero.

22-27 - Com o puro te mostras puro, mas com o perverso te mostras avesso.

22-28 - E o povo aflito livras, mas teus olhos são contra os altivos, e tu os abaterás.

22-29 - Porque tu, SENHOR, és a minha candeia; e o SENHOR clareia as minhas trevas.

22-30 - Porque contigo passo pelo meio de um esquadrão, pelo meu Deus salto um muro.

22-31 - O caminho de Deus é perfeito, e a palavra do SENHOR, refinada; ele é o escudo de todos os que nele confiam.

22-32 - Porque, quem é Deus, senão o SENHOR? E quem é rochedo, senão o nosso Deus?

22-33 - Deus é a minha fortaleza e a minha força, e ele perfeitamente desembaraça o meu caminho.

22-34 - Faz ele os meus pés como os das cervas e me põe sobre as minhas alturas.

22-35 - Instrui as minhas mãos para a peleja, de maneira que um arco de cobre se quebra pelos meus braços.

22-36 - Também me deste o escudo da tua salvação e, pela tua brandura, me vieste a engrandecer.

22-37 - Alargaste os meus passos debaixo de mim, e não vacilaram os meus artelhos.

22-38 - Persegui os meus inimigos, e os derrotei, e nunca me tornei até que os consumisse.

22-39 - E os consumi e os atravessei, de modo que nunca mais se levantaram, mas caíram debaixo dos meus pés.

22-40 - Porque me cingiste de força para a peleja, fizeste abater debaixo de mim os que se levantaram contra mim.

22-41 - E deste-me o pescoço de meus inimigos, daqueles que me tinham ódio, e os destruí.

22-42 - Olharam, porém, não houve libertador, sim, para o SENHOR, porém não lhes respondeu.

22-43 - Então, os moí como o pó da terra; como a lama das ruas os trilhei e dissipei.

22-44 - Também me livraste das contendas do meu povo; guardaste-me para cabeça das nações; o povo que não conhecia me servirá.

22-45 - Os filhos de estranhos se me sujeitaram; ouvindo a minha voz, me obedeceram.

22-46 - Os filhos de estranhos descaíram; e, cingindo-se, saíram dos seus encerramentos.

22-47 - Vive o SENHOR, e bendito seja o meu rochedo; e exaltado seja Deus, a rocha da minha salvação,

22-48 - o Deus que me dá inteira vingança e sujeita os povos debaixo de mim,

22-49 - e o que me tira dentre os meus inimigos; e tu me exaltas sobre os que contra mim se levantam; do homem violento me livras.

22-50 - Por isso, ó SENHOR, te louvarei entre as nações, e entoarei louvores ao teu nome.

22-51 - Ele é a torre das salvações do seu rei e usa de benignidade com o seu ungido, com Davi e com a sua semente, para sempre.

23-1 - E estas são as últimas palavras de Davi. Diz Davi, filho de Jessé, e diz o homem que foi levantado em altura, o ungido do Deus de Jacó, e o suave em salmos de Israel:

23-2 - O Espírito do SENHOR falou por mim, e a sua palavra esteve em minha boca.

23-3 - Disse o Deus de Israel, a Rocha de Israel a mim me falou: Haverá um justo que domine sobre os homens, que domine no temor de Deus.

23-4 - E será como a luz da manhã, quando sai o sol, da manhã sem nuvens, quando, pelo seu resplendor e pela chuva, a erva brota da terra.

23-5 - Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus, contudo estabeleceu comigo um concerto eterno, que em tudo será ordenado e guardado. Pois toda a minha salvação e todo o meu prazer estão nele, apesar de que ainda não o faz brotar.

23-6 - Porém os filhos de Belial serão todos como os espinhos que se lançam fora, porque se lhes não pode pegar com a mão.

23-7 - Mas qualquer que os tocar se armará de ferro e da haste de uma lança; e a fogo serão totalmente queimados no mesmo lugar.

23-8 - Estes são os nomes dos valentes que Davi teve: Josebe-Bassebete, filho de Taquemoni, o principal dos capitães; este era Adino, o eznita, que se opusera a oitocentos e os feriu de uma vez.

23-9 - E, depois dele, Eleazar, filho de Dodô, filho de Aoí, entre os três valentes que estavam com Davi, quando provocaram os filisteus que ali se ajuntaram à peleja e quando de Israel os homens subiram,

23-10 - este se levantou e feriu os filisteus, até lhe cansar a mão e ficar a mão pegada à espada; e, naquele dia, o SENHOR operou um grande livramento; e o povo voltou atrás dele somente a tomar o despojo.

23-11 - E, depois dele, Sama, filho de Agé, o hararita, quando os filisteus se ajuntaram numa multidão, onde havia um pedaço de terra cheio de lentilhas, e o povo fugira de diante dos filisteus.

23-12 - Este, pois, se pôs no meio daquele pedaço de terra, e o defendeu, e feriu os filisteus; e o SENHOR operou um grande livramento.

23-13 - Também três dos trinta cabeças desceram e vieram no tempo da sega a Davi, à caverna de Adulão; e a multidão dos filisteus acampara no vale dos Refains.

23-14 - Davi estava, então, num lugar forte, e a guarnição dos filisteus estava, então, em Belém.

23-15 - E teve Davi desejo e disse: Quem me dera beber da água da cisterna de Belém que está junto à porta!

23-16 - Então, aqueles três valentes romperam pelo arraial dos filisteus, e tiraram água da cisterna de Belém que está junto à porta, e a tomaram, e a trouxeram a Davi; porém ele não a quis beber, mas derramou-a perante o SENHOR.

23-17 - E disse: Guarda-me, ó SENHOR, de que tal faça; beberia eu o sangue dos homens que foram a risco da sua vida? De maneira que não a quis beber. Isso fizeram aqueles três valentes.

23-18 - Também Abisai, irmão de Joabe, filho de Zeruia, era cabeça de três; e este alçou a sua lança contra trezentos, e os feriu, e tinha nome entre os três.

23-19 - Porventura, este não era o mais nobre dentre estes três? Pois era o primeiro deles; porém aos primeiros três não chegou.

23-20 - Também Benaia, filho de Joiada, filho de um homem valoroso de Cabzeel, grande em obras, este feriu dois fortes leões de Moabe; e desceu ele e feriu um leão no meio de uma cova, no tempo da neve.

23-21 - Também este feriu um homem egípcio, homem de respeito; e na mão do egípcio havia uma lança, porém Benaia desceu a ele com um cajado, e arrancou a lança da mão do egípcio, e o matou com a sua própria lança.

23-22 - Estas coisas fez Benaia, filho de Joiada, pelo que teve nome entre os três valentes.

23-23 - Dentre os trinta, ele era o mais nobre, porém aos três primeiros não chegou; e Davi o pôs sobre os seus guardas.

23-24 - Asael, irmão de Joabe, estava entre os trinta, que eram: Elanã, filho de Dodô, de Belém;

23-25 - Sama, harodita; Elica, harodita;

23-26 - Heles, paltita; Ira, filho de Iques, tecoíta;

23-27 - Abiezer, anatotita; Mebunai, husatita;

23-28 - Zalmom, aoíta; Maarai, netofatita;

23-29 - Helebe, filho de Baaná, netofatita; Itai, filho de Ribai, de Gibeá, dos filhos de Benjamim;

23-30 - Benaia, piratonita; Hidai, do ribeiro de Gaás;

23-31 - Abi-Albom, arbatita; Azmavete, barumita;

23-32 - Eliaba, saalbonita; os filhos de Jasém; e Jônatas;

23-33 - Sama, hararita; Aião, filho de Sarar, ararita;

23-34 - Elifelete, filho de Aasbai, filho de um maacatita; Eliã, filho de Aitofel, gilonita;

23-35 - Hezrai, carmelita; Paarai, arbita;

23-36 - Igal, filho de Natã, de Zobá; Bani, gadita;

23-37 - Zeleque, amonita; Naarai, beerotita, o que trazia as armas de Joabe, filho de Zeruia;

23-38 - Ira, jetrita; Garebe, jetrita;

23-39 - Urias, heteu; trinta e sete por todos.

24-1 - E a ira do SENHOR se tornou a acender contra Israel, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, numera a Israel e a Judá.

24-2 - Disse, pois, o rei a Joabe, chefe do exército, o qual tinha consigo: Agora, rodeia por todas as tribos de Israel, desde Dã até Berseba, e numera o povo, para que eu saiba o número do povo.

24-3 - Então, disse Joabe ao rei: Ora, multiplique o SENHOR, teu Deus, a este povo cem vezes tanto quanto agora é, e os olhos do rei, meu senhor, o vejam; mas por que deseja o rei, meu senhor, este negócio?

24-4 - Porém a palavra do rei prevaleceu contra Joabe e contra os chefes do exército. Joabe, pois, saiu com os chefes do exército diante da face do rei, a numerar o povo de Israel.

24-5 - E passaram o Jordão e puseram-se em campo junto a Aroer, à direita da cidade que está no meio do ribeiro de Gade, e junto a Jazer.

24-6 - E vieram a Gileade e à terra baixa de Cades; também vieram até Dã-Jaã e ao redor de Sidom.

24-7 - E vieram à fortaleza de Tiro, e a todas as cidades dos heveus e dos cananeus, e saíram para a banda do sul de Judá, a Berseba.

24-8 - Assim, rodearam por toda a terra e, ao cabo de nove meses e vinte dias, voltaram a Jerusalém.

24-9 - E Joabe deu ao rei a soma do número do povo contado: havia em Israel oitocentos mil homens de guerra, que arrancavam espada; e os homens de Judá eram quinhentos mil homens.

24-10 - E o coração doeu a Davi, depois de haver numerado o povo, e disse Davi ao SENHOR: Muito pequei no que fiz; porém agora, ó SENHOR, peço-te que traspasses a iniqüidade do teu servo; porque tenho procedido mui loucamente.

24-11 - Levantando-se, pois, Davi pela manhã, veio a palavra do SENHOR ao profeta Gade, vidente de Davi, dizendo:

24-12 - Vai e dize a Davi: Assim diz o SENHOR: três coisas te ofereço; escolhe uma delas, para que ta faça.

24-13 - Veio, pois, Gade a Davi e fez-lho saber; e disse-lhe: Queres que sete anos de fome te venham à tua terra; ou que por três meses fujas diante de teus inimigos, e eles te persigam; ou que por três dias haja peste na tua terra? Delibera, agora, e vê que resposta hei de dar ao que me enviou.

24-14 - Então, disse Davi a Gade: Estou em grande angústia; porém caiamos nas mãos do SENHOR, porque muitas são as suas misericórdias; mas nas mãos dos homens não caia eu.

24-15 - Então, enviou o SENHOR a peste a Israel, desde pela manhã até ao tempo determinado; e, desde Dã até Berseba, morreram setenta mil homens do povo.

24-16 - Estendendo, pois, o Anjo a sua mão sobre Jerusalém, para a destruir, o SENHOR se arrependeu daquele mal; e disse ao Anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, agora retira a tua mão. E o Anjo do SENHOR estava junto à eira de Araúna, o jebuseu.

24-17 - E, vendo Davi ao Anjo que feria o povo, falou ao SENHOR e disse: Eis que eu sou o que pequei e eu o que iniquamente procedi; porém estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua mão contra mim e contra a casa de meu pai.

24-18 - E Gade veio, naquele mesmo dia, a Davi e disse-lhe: Sobe, levanta ao SENHOR um altar na eira de Araúna, o jebuseu.

24-19 - Davi subiu conforme a palavra de Gade, como o SENHOR lhe tinha ordenado.

24-20 - E olhou Araúna e viu que vinham para ele o rei e os seus servos; saiu, pois, Araúna, e inclinou-se diante do rei com o rosto em terra.

24-21 - E disse Araúna: Por que vem o rei, meu senhor, ao seu servo? E disse Davi: Para comprar de ti esta eira, a fim de edificar nela um altar ao SENHOR, para que este castigo cesse de sobre o povo.

24-22 - Então, disse Araúna a Davi: Tome e ofereça o rei, meu senhor, o que bem parecer aos seus olhos; eis aí bois para o holocausto, e os trilhos, e o aparelho dos bois para a lenha.

24-23 - Tudo isso deu Araúna ao rei; disse mais Araúna ao rei: O SENHOR, teu Deus, tome prazer em ti.

24-24 - Porém o rei disse a Araúna: Não, porém por certo preço to comprarei, porque não oferecerei ao SENHOR, meu Deus, holocaustos que me não custem nada. Assim, Davi comprou a eira e os bois por cinqüenta siclos de prata.

24-25 - E edificou ali Davi ao SENHOR um altar e ofereceu holocaustos e ofertas pacíficas. Assim, o SENHOR se aplacou para com a terra e cessou aquele castigo de sobre Israel.